O rio Zaire reúne condições naturais únicas para impulsionar o turismo fluvial no município do Nóqui, província do Zaire.
No entanto, as deslumbrantes paisagens ribeirinhas e formações rochosas esbarram na falta de infra-estruturas e na escassez de investimentos, factores que continuam a condicionar o aproveitamento económico da região.
Para constatar esta realidade, a equipa de reportagem do Jornal de Angola embarcou numa viagem que revelou tanto o potencial turístico quanto as duras dificuldades de mobilidade enfrentadas pelas populações locais.
Às 8h45, a embarcação com 17 pessoas a bordo — incluindo o tripulante — partiu da vila do Nóqui rumo à aldeia ribeirinha de Lamba-Mambuzu. A deslocação tinha um propósito nobre: acompanhar a inauguração do primeiro posto de saúde daquela comunidade fronteiriça, vizinha da cidade de Matadi, na província do Congo Central (RDC).
Durante a navegação, o timoneiro Bula Simão Makanzo desdobrava-se para manter o controlo do barco, desafiando a ondulação e o peso extra dos passageiros.
A tensão subiu quando a pequena embarcação se cruzou com um cargueiro de grande porte que navegava em direcção ao porto de Matadi, na RDC.
As fortes ondas geradas pelo navio espalharam o pânico a bordo. — «Agarrem-me, agarrem-me, vamos morrer!», gritava Maria Eva Seke, funcionária da Administração Municipal do Nóqui, tomada pelo desespero.
Apesar do susto, a viagem prosseguiu e o barco atracou em Lamba-Mambuzu às 11h57, cerca de três horas após a partida.
A chegada a terra firme foi recebida com um profundo alívio pelos ocupantes, que puderam, finalmente, contemplar em paz a imponência do cenário fluvial. À medida que os passageiros desembarcavam e sentiam o chão seguro sob os pés, a tensão acumulada ao longo das três horas de travessia dissipava-se num misto de sorrisos nervosos e suspiros de desabafo.
Maria Eva Seke, já refeita do susto que quase a fizera perder as forças, ajeitava a roupa enquanto olhava para trás, contemplando a imensidão do rio Zaire.
Sem já o balanço ameaçador das ondas causadas pelo cargueiro, o rio recuperava a sua aparência majestosa e serena, reflectindo o sol do final da manhã e revelando um potencial turístico que, embora sufocado pelas dificuldades logísticas, permanecia ali, intocado e monumental, à espera de ser descoberto pelo mundo.




