SADC traça novas estratégias para expandir conectividade

A Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) quer acelerar a inclusão digital para garantir o acesso aos serviços de telecomunicações às populações que vivem em áreas rurais e remotas.
A informação foi avançada ontem, em Luanda, por Samkeliso Shongwe, presidente da Reunião Preparatória da SADC para a Conferência Mundial de Radiocomunicações (WRC-27). O responsável sublinhou que o foco principal da organização regional é mitigar as assimetrias no acesso à internet e expandir a conectividade móvel onde a cobertura das redes ainda é bastante limitada. Em declarações à imprensa durante a III Reunião Preparatória dos países da África Austral, o dirigente considerou que a harmonização das políticas regulatórias entre os Estados-membros constitui um marco decisivo para o desenvolvimento das telecomunicações na região. Samkeliso Shongwe reforçou que a padronização de normas e frequências é o caminho mais rápido para atrair novos investimentos tecnológicos e baixar os custos dos serviços para os cidadãos da SADC. Shongwe explicou que o objectivo é preparar os Estados-membros para a introdução das futuras redes 6G. Segundo o responsável, a transição tecnológica vai tornar as nações da região muito mais competitivas no mercado global das telecomunicações. O encontro, que decorre em Luanda desde o dia 3 deste mês, visa estabelecer as bases para que a região apresente uma posição unificada na WRC-27. O objectivo é influenciar as decisões globais sobre a gestão do espectro radioeléctrico. “Queremos que os países da SADC falem a uma só voz nas negociações africanas e internacionais”, sublinhou o dirigente. De acordo com o responsável, o consenso regional vai dar maior poder de voto e de negociação ao bloco na conferência mundial. Inclusão digitalPara o responsável, a expansão da conectividade vai reduzir a exclusão digital, assegurando que mais cidadãos tenham acesso à comunicação e à Internet, além de tornar a SADC mais competitiva no sector das Telecomunicações. No domínio Espacial, Samkeliso Shongwe anunciou que a SADC já submeteu à União Internacional das Telecomunicações (UIT) a proposta técnica para a reserva de posições orbitais destinadas ao futuro satélite regional. “Paralelamente, decorrem estudos sobre o modelo de financiamento do projecto, conduzidos por um grupo técnico especializado, enquanto Angola lidera um dos comités responsáveis pelo acompanhamento da iniciativa”, informou o responsável. O dirigente destacou que a liderança de Angola neste comité reforça o papel estratégico do país na condução dos principais dossiês de desenvolvimento infraestrutural da região. Os progressos já alcançados, ressaltou, demonstram que a região está no caminho certo para consolidar uma estratégia comum em matéria de radiocomunicações, reforçando a capacidade da SADC para reduzir as desigualdades no acesso às telecomunicações e garantir que o desenvolvimento digital beneficie todas as comunidades, incluindo as mais afastadas dos grandes centros urbanos populacionais. Ciclo preparatórioO director-geral do Departamento de Comunicações e Tecnologias Digitais da África do Sul, Dick Sono, esclareceu que a reunião integra o terceiro ciclo preparatório da WRC-27, um processo realizado ao longo de quatro anos, frisando que os países da SADC estão a alinhar as políticas nacionais para construir uma posição comum que será apresentada no encontro continental que se realiza na Tanzânia. Entre os principais temas em debate destaca-se a alocação de frequências para as Telecomunicações Móveis Internacionais (IMT), considerada determinante para melhorar a cobertura das redes de comunicação nas zonas rurais e recônditas da região.


