Angola prepara uma nova geração de enfermeiros especializados em cuidados intensivos, com o reforço da componente clínica e prática da formação, através da participação de especialistas e docentes brasileiros.
O avanço do processo formativo foi analisado, quinta-feira, em Luanda, durante um encontro técnico presidido pelo gestor técnico da Unidade de Implementação do Projecto de Formação de Recursos Humanos em Saúde (UIP-PFRHS), Job Monteiro.
Participaram igualmente no encontro o consultor de Formação, Adão Chimuanji, a coordenadora do Curso de Enfermagem em Cuidados Intensivos, Kátia Estrada, e Cláudia Fabião, representante da Open Mind, parceira da iniciativa de reforço da formação em enfermagem.
A reunião marcou o acolhimento da equipa brasileira que passa a integrar esta nova fase do curso, no âmbito das acções de formação promovidas pelo Ministério da Saúde, através do Instituto de Especialização em Saúde (IES) e da UIP-PFRHS.
A presença dos especialistas brasileiros reforça uma etapa do percurso formativo centrada no desenvolvimento de competências clínicas, segurança do paciente, tomada de decisão e resposta a situações críticas.
Entre os especialistas envolvidos está Vitória, profissional com experiência em Unidade de Terapia Intensiva Adulto, Urgência e Emergência e Docência, que cumpre a primeira missão em Angola.
“Não viemos apenas para ensinar, mas também para aprender. A troca de conhecimentos permite formar profissionais qualificados e, sobretudo, humanizados”, afirmou.
A especialista destacou, igualmente, a importância de acompanhar o investimento que Angola tem realizado no sector da Saúde, através da qualificação dos recursos humanos.
“Quando falamos de educação, falamos de profissionais. Precisamos investir na formação para termos profissionais preparados. Na verdade, estamos a formar formadores”, sublinhou.
A formação assume particular importância pela complexidade dos cuidados prestados nas Unidades de Terapia Intensiva, onde os pacientes necessitam de vigilância permanente, suporte avançado e intervenção rápida.
Segundo os especialistas, o enfermeiro intensivista deve dominar procedimentos, interpretar alterações clínicas e actuar com segurança perante situações susceptíveis de evolução rápida.
É neste contexto que o curso entra numa fase de maior aproximação à prática, com simulação clínica, treino de procedimentos e preparação para ambientes reais de cuidados intensivos.
Para Romilda Cavaleiro, especialista em Terapia Intensiva Adulto, Pediátrica e Neonatal, controlo de infecção e segurança do paciente, o impacto da iniciativa ultrapassa a dimensão profissional.
“Este é um projecto extraordinário. É a primeira formação de enfermeiros intensivistas e vai trazer oportunidades não apenas para os enfermeiros, mas para toda a sociedade”, afirmou.
A especialista considerou que os futuros profissionais poderão contribuir para a melhoria da qualidade da assistência e para a implementação de protocolos e práticas mais seguras.
“Eles vão terminar a formação como especialistas e levar para os serviços de saúde uma assistência mais qualificada, com capacidade para implementar protocolos e prestar um atendimento diferenciado ao paciente crítico”, explicou.
O gestor técnico da UIP-PFRHS, Job Monteiro, destacou a importância estratégica da formação de especialistas para o reforço da capacidade nacional de resposta aos desafios do sector da Saúde.
A iniciativa deverá permitir a formação de quadros capazes de melhorar práticas, implementar protocolos, apoiar equipas e multiplicar conhecimentos dentro das unidades sanitárias.
A ministra da Saúde, Sílvia Lutucuta, tem defendido o investimento na formação e especialização dos profissionais como uma das componentes fundamentais do processo de modernização do Sistema Nacional de Saúde.
Próxima fase
Na próxima semana, os docentes brasileiros deverão acompanhar os exames de época especial do segundo semestre, incluindo a aplicação e correcção das avaliações, permitindo a sua integração com a dinâmica académica do curso.
A etapa seguinte será dedicada à simulação clínica e à prática avançada em cuidados intensivos, inicialmente prevista para Setembro, podendo ser antecipada em função da preparação técnica e pedagógica.
Os formandos estarão concentrados em Luanda para desenvolver competências em ambiente de simulação, praticando procedimentos e tomando decisões em cenários próximos da realidade hospitalar.
Posteriormente, está prevista a passagem para a componente de estágio, projectada para o final de Outubro, aproximando a formação da realidade dos serviços de saúde.
O docente brasileiro Rodrigues, que regressa a Angola pela segunda vez no âmbito do projecto, considerou esta fase determinante para consolidar os conhecimentos adquiridos.
“Estamos a entrar numa fase mais clínica, em que vamos desenvolver o ensino prático com os alunos e, posteriormente, colocá-los em contacto directo com o paciente”, explicou.
Segundo o especialista, a cooperação permite acrescentar experiência clínica à formação dos profissionais angolanos e contribuir para a criação de competências que permaneçam no país.
Os docentes brasileiros destacaram a evolução observada nas infra-estruturas de saúde em Angola, incluindo unidades hospitalares dotadas de equipamentos e tecnologias diferenciadas.
Contudo, sublinharam que o investimento tecnológico deve ser acompanhado pela formação de profissionais capacitados.
“Temos observado hospitais bem estruturados e com tecnologia necessária para uma boa assistência. Mas, para utilizar todos esses equipamentos, precisamos de uma equipa igualmente bem estruturada”, afirmou Rodrigues.



