O Ministério da Saúde está a reforçar a formação e especialização dos profissionais como uma das principais respostas aos desafios do Sistema Nacional de Saúde, com previsão de formar cerca de 38 mil profissionais até 2028.
A aposta abrange médicos, enfermeiros, gestores, técnicos de diagnóstico e terapêutica, investigadores e docentes, numa estratégia que pretende aumentar a capacidade de resposta dos serviços e melhorar a qualidade dos cuidados prestados à população.
No caso da enfermagem, o Ministério da Saúde anunciou a abertura de 4.800 vagas para cursos de especialização, numa iniciativa financiada pelo Banco Mundial que pretende ampliar e descentralizar a formação especializada para diferentes províncias do país.
A medida foi destacada durante as III Jornadas Científicas de Enfermagem, realizadas na Escola Nacional de Administração e Políticas Públicas, em Luanda, sob o lema “Cuidar com Ciência e Decidir com Responsabilidade”.
Na ocasião, o Secretário de Estado para a Saúde Pública, Carlos Alberto Pinto de Sousa, defendeu a formação contínua e a valorização dos profissionais como condições para elevar a qualidade, a segurança e a humanização dos cuidados.
Em representação da ministra da Saúde, Sílvia Paula Valentim Lutucuta, o governante considerou a enfermagem um “pilar insubstituível do Serviço Nacional de Saúde”, devido ao contacto permanente dos profissionais com os doentes e as famílias.
Carlos Alberto Pinto de Sousa defendeu ainda a preparação de enfermeiros capazes de liderar equipas, gerir recursos e processos e desenvolver investigação orientada para a resolução dos problemas dos serviços de saúde.
“Não podemos falar de qualidade dos serviços de saúde sem a qualidade da enfermagem; segurança do doente sem falar da competência dos enfermeiros; e transformação do sistema de saúde sem reconhecer o papel estratégico da liderança de enfermagem”, afirmou.
O reforço da formação surge num contexto de expansão dos recursos humanos do sector. O Ministério da Saúde destaca a admissão de mais de 46 mil profissionais através dos concursos públicos realizados nos últimos anos e prevê a especialização de mais de 38 mil profissionais até 2028.
As autoridades consideram que o aumento do número de profissionais deve ser acompanhado pela melhoria das competências técnicas, de modo a garantir uma resposta mais eficaz às necessidades da população.
As jornadas científicas abordaram temas relacionados com a segurança sanitária, doenças infecciosas endémicas e pandémicas, literacia em saúde, disponibilidade de serviços e cooperação entre instituições.
A formação dos enfermeiros foi igualmente associada ao reforço da vigilância epidemiológica, controlo de infecções, administração segura de medicamentos e prevenção da resistência antimicrobiana.
O Ministério da Saúde defende, neste domínio, a actualização permanente dos profissionais em matérias como controlo de infecções, gestão de antimicrobianos e resposta a surtos.
A agenda das jornadas incluiu também a saúde mental, com destaque para a capacidade dos enfermeiros na identificação de sinais de alerta, acompanhamento dos utentes e encaminhamento dos casos.
Paralelamente à aposta nos recursos humanos, o sector tem procurado ampliar a capacidade tecnológica e assistencial das unidades sanitárias.
Entre os avanços apresentados estão as cirurgias robóticas realizadas no Complexo Hospitalar de Doenças Cardio-Pulmonares Cardeal Dom Alexandre do Nascimento, incluindo os primeiros procedimentos robóticos renais realizados no país. O programa contabiliza 145 procedimentos e já permitiu capacitar 15 médicos cirurgiões angolanos.
No Complexo Hospitalar Pedro Maria Tonha “Pedalé”, foram igualmente destacados a introdução da neurointervenção, a embolização de retinoblastoma e a Via Verde do AVC.
O Executivo destacou ainda a entrada em funcionamento do Hospital dos Queimados Presidente Julius Nyerere, com capacidade para 252 camas.
Na área da hemodiálise, a cobertura nacional passou a abranger 14 províncias, através de 35 centros especializados, com 445 monitores e capacidade superior a 27 mil sessões semanais.
Para o Director-Geral do CETEP, António Jorge Capita, o crescimento da capacidade dos serviços deve ser acompanhado por maior articulação entre os diferentes níveis de atenção, sobretudo através dos mecanismos de referência e contra-referência.
“O CETEP não pode ser uma ilha de excelência, tem de ser o centro de uma rede, e o enfermeiro é o elo dessa rede”, afirmou.
As III Jornadas Científicas de Enfermagem reuniram profissionais, gestores, especialistas, representantes das ordens profissionais e parceiros internacionais para discutir os desafios da profissão e promover a actualização científica e técnica dos enfermeiros.
A iniciativa contou também com a participação de parceiros internacionais, incluindo uma delegação brasileira, no quadro da cooperação com países da CPLP, SADC e União Africana, com enfoque na transferência de conhecimentos, formação especializada e intercâmbio profissional.



