Seguranças privados denunciam salários baixos e más condições de trabalho

Trabalhadores do sector de segurança privada em Angola denunciam baixos salários, falta de condições básicas de trabalho e ausência de protecção social adequada, num contexto em que afirmam exercer funções de elevado risco no quotidiano.
Em declarações recolhidas pela equipa de reportagem do Correio da Kianda, vários seguranças, que preferiram o anonimato, descrevem um cenário marcado por dificuldades financeiras, limitações estruturais e condições laborais consideradas precárias.
Os trabalhadores referem que os salários praticados no sector são insuficientes para responder às despesas básicas, sendo que parte do rendimento mensal é, em muitos casos, utilizado para alimentação e transporte, agravando a sua situação económica.
Para além dos constrangimentos salariais, os profissionais apontam a ausência de condições essenciais de trabalho, como instalações sanitárias adequadas, espaços de descanso e meios de protecção necessários ao desempenho das suas funções.
Segundo os relatos, a actividade é exercida em contextos de elevado risco, sem que exista, na mesma proporção, um reforço das garantias de segurança e protecção social por parte das entidades empregadoras.
A equipa de reportagem tentou ouvir a versão das empresas de segurança privada, mas não obteve resposta até ao fecho desta peça.
Em análise à situação, a jurista sublinha que a legislação laboral angolana estabelece obrigações claras para os empregadores no que diz respeito à segurança, higiene e saúde no trabalho, bem como à salvaguarda da dignidade do trabalhador.
A especialista refere que a Lei Geral do Trabalho consagra o princípio da dignidade no trabalho e impõe ao empregador o dever de assegurar condições adequadas para o exercício da actividade profissional.
Perante este cenário, especialistas em direito laboral defendem o reforço da fiscalização por parte das entidades competentes, de modo a garantir o cumprimento da legislação e a melhoria das condições de trabalho no sector.
Os trabalhadores apelam igualmente às autoridades para uma intervenção mais efectiva, com vista à revisão das condições salariais e à valorização do sector da segurança privada em Angola.





