Luanda - Noventa e cinco cadáveres de cidadãos que cometeram suicídio foram registados pelo Serviço de Protecção Civil e Bombeiros (SPCB), durante o primeiro semestre de 2026, informou esta quinta-feira, em Luanda, o subcomissário bombeiro Wilson Baptista.
Luanda - Noventa e cinco cadáveres de cidadãos que cometeram suicídio foram registados pelo Serviço de Protecção Civil e Bombeiros (SPCB), durante o primeiro semestre de 2026, informou esta quinta-feira, em Luanda, o subcomissário bombeiro Wilson Baptista.
Em declarações à imprensa em alusão ao Dia Mundial da Prevenção ao Suicídio assinalado hoje (10), referiu que os casos integram as ocorrências que mereceram a intervenção directa do sector no âmbito das missões de socorro, salvamento e resgate de cidadãos que tentaram ou cometeram suicídio.
Afirmou que, do ponto de vista da distribuição territorial, a província da Huíla apresentou o número mais elevado, com 14 casos de suicídios, seguida do Cuanza-Sul, com 11 casos, enquanto as demais províncias registaram números que variaram entre cinco e seis ocorrências.
Esclareceu que os dados apresentados não representam necessariamente o número total de suicídios ocorridos no país, por existirem dificuldades relacionadas com a subnotificação e a ausência de interligação entre os registos das diferentes instituições.
“Pode naturalmente haver outras estatísticas, porque um dos grandes problemas em relação a esta temática tem a ver com a subnotificação”, explicou.
Apontou igualmente, a dificuldade de classificação de algumas ocorrências, sobretudo nos casos inicialmente tratados como “suicídios presumidos”, cuja confirmação depende posteriormente das investigações das autoridades competentes.
Destacou também as acções preventivas desenvolvidas internamente pelo SPCB, tendo em conta os níveis de stress associados à actividade dos profissionais de bombeiros.
“Os nossos efectivos também estão expostos ao risco de cometimento de suicídio, tendo em conta o elevado stress que a própria actividade de bombeiros encerra”, afirmou.
Como medida preventiva, acrescentou, que o sector tem realizado campanhas de sensibilização, palestras, prelecções e diálogos directos com os efectivos, contando ainda com profissionais formados em psicologia para prestar acompanhamento.
As acções, segundo Wilson Baptista, têm apresentado resultados positivos, uma vez que, até ao primeiro trimestre de 2026, não havia registo de efectivos que tivessem cometido ou tentasse cometer suicídio.
Disse que os serviços de apoio psicológico são igualmente disponibilizados sempre que possível, às famílias de efectivos que apresentam sinais de vulnerabilidade, relacionados com ansiedade, desilusão profissional ou outros factores que possam afectar o seu bem-estar.
“Quando são detectados indícios de comportamentos de risco a estratégia passa por uma abordagem inicial ao próprio efectivo, e quando necessário o envolvimento dos familiares mais próximos”, explicou.
Neste contexto, apelou ao reforço do diálogo e de uma abordagem cordial às pessoas que apresentem comportamentos de risco, considerando que o julgamento e o estigma podem impedir que estas procurem ajuda.
Para si, entre os principais desafios identificados está a necessidade de melhorar a recolha e o tratamento dos dados sobre suicídios no país.
Neste sentido, defendeu a criação de uma plataforma interinstitucional que permita a troca e a integração de informações entre os organismos que registam ocorrências desta natureza.
Segundo o responsável, a medida permitirá obter estatísticas mais próximas da realidade nacional e contribuiria para a definição de políticas e acções de prevenção mais eficazes.
Chamou igualmente a atenção para as diferenças regionais na abordagem do fenómeno, referindo, a título de exemplo, a província do Cunene, onde determinados factores culturais podem associar o suicídio a um alegado acto de honra perante situações de fracasso.
O encontro reuniu profissionais de saúde, académicos, estudantes, representantes de instituições públicas e privadas, organizações da sociedade civil e psicólogos, que abordam estratégias de prevenção do suicídio e formas de intervenção junto das pessoas em situação de vulnerabilidade.VX/DP




