A directora regional da UNESCO para a África Austral, Lídia Brito, reconheceu o papel de Angola na afirmação da Bienal de Luanda como plataforma internacional de diálogo, reflexão e acção para a promoção da cultura de paz e prevenção de conflitos.
A directora fez estas declarações por via de uma mensagem em vídeo exibida esta segunda-feira, 21 de Setembro, em Luanda, durante o acto de lançamento do Programa da 4.ª edição do Fórum Pan-Africano para a Cultura de Paz e Não Violência – Bienal de Luanda.
No acto estiveram o secretário de Estado para a Cooperação Internacional e Comunidades Angolanas, Domingos Vieira Lopes, o coordenador do Comité Nacional de Gestão da Bienal de Luanda, embaixador Sita José, e o secretário de Estado para a Comunicação Social, Nuno Caldas.
Lídia Brito destacou que, ao acolher a quarta edição da Bienal, Angola, em parceria com a União Africana (UA) e a UNESCO, reafirma o compromisso com a valorização da contribuição de África para o mundo sobre a cultura de paz e não violência, através das suas experiências, práticas socioculturais, tradições e conhecimentos.
Segundo a directora regional da UNESCO para a África Austral, esta ambição está alinhada com a missão da organização que, desde a sua criação, há mais de oito décadas, tem defendido a construção da paz através da educação, da ciência, da cultura, do conhecimento e do diálogo.
“É também por isso que devemos olhar para a história africana como uma fonte de conhecimento para construir um futuro partilhado, pacífico e progressista, centrado nos seus cidadãos”, afirmou.
A responsável considerou que as práticas de mediação, os sistemas tradicionais de gestão de recursos, os conhecimentos ecológicos transmitidos entre gerações e o património cultural africano oferecem experiências concretas de convivência, reciprocidade e prevenção de conflitos.
Tendo em conta a escolha da água como tema central da quarta edição da Bienal de Luanda, considerou que os grandes sistemas hídricos transfronteiriços de África desempenham um papel essencial na vida das populações, na agricultura, na saúde, na produção de energia e na preservação dos ecossistemas.
Para Lídia Brito, perante os desafios provocados pelas alterações climáticas, pelo crescimento demográfico e pela crescente pressão sobre os recursos naturais, a governação da água exige uma cooperação que ultrapasse as fronteiras nacionais.
“A água pode também ser uma infra-estrutura de paz”, salientou, defendendo que a partilha de conhecimento científico, a construção de confiança, o envolvimento das comunidades e uma governação equitativa dos recursos hídricos constituem formas concretas de prevenção de conflitos.
A directora regional da UNESCO para a África Austral reiterou, por fim, o compromisso da organização em continuar a trabalhar ao lado da União Africana e do Governo de Angola na realização da Bienal de Luanda, enquanto espaço de diálogo e reflexão sobre os desafios do continente.
Por sua vez, o coordenador do Comité Nacional de Gestão da Bienal de Luanda, embaixador Sita José, defendeu que a governação dos recursos hídricos deve contribuir para encontrar um equilíbrio entre as diferentes necessidades de utilização da água e prevenir conflitos.
O diplomata disse que a iniciativa pretende identificar as bases e as causas dos conflitos relacionados com a utilização dos recursos hídricos, promovendo uma reflexão sobre as políticas necessárias para assegurar o equilíbrio entre os diferentes interesses.
“A questão de conflito pode ser gerada através da concorrência que se observa nas diversas necessidades”, explicou, apontando como exemplos a utilização da água para a agricultura, a indústria, o consumo humano e outros fins.
Sita José destacou igualmente a dimensão transfronteiriça da governação da água, tendo em conta que determinadas bacias hidrográficas e reservas de águas subterrâneas são partilhadas por vários países, a exemplo de Angola que cooperação com a Namíbia na utilização dos recursos hídricos para benefício comum.
A 4.ª edição da Bienal de Luanda – Fórum Pan-Africano para a Cultura de Paz e Não Violência decorrerá de 22 a 23 de Outubro, em Luanda, sob o lema “Reforço da Governação da Água em África como Instrumento de Prevenção, Mediação e Resolução de Conflitos”.



