Aline Frazão e Toty Sa’med prenderam os espectadores, na noite de quinta-feira, no Auditório Manuel Rui, na Casa das Artes de Talatona, com um repertório diversificado onde os clássicos da música nacional cruzaram com temas autorais.
O concerto “Bis” foi uma celebração da música e amizade dos dois artistas que estiveram em palco em formato quase “minimalista”, apenas com guitarra eléctrica e violão, com o reforço apenas de Omar Gross, na percussão, e a convidada Nayela, a meio do concerto. A escolha para a abertura foi com a reflexiva “Ser da Lama”, um original de Paulo Flores, e para fechar a opção, foi um medley com “Suzana” e “Nguxi”, sucessos da parceria Rosita Palma, na composição, e Belita Palma, na voz, com direito à passagem em “Colonial”, do N’gola Ritmos, na versão de Carlitos Vieira Dias. Toty Sa’med demonstrou o seu virtuosismo como guitarrista e como intérprete, assim como Aline Frazão que encantou no canto e no violão. Ambos recordaram composições antigas, temas com histórias e deixaram no ar a possibilidade de um disco colaborativo, justificado pelos anos de cumplicidades artísticas. “Mona ki ngi Xica”, com arranjos onde o lamento de Bonga deram lugar a uma combinação rítmica entre o blues e soul, na voz de Toty Sa’med e o atrevimento de Aline Frazão, ao revisitar “Naquele Dia”, de Maya Cool, e carimbar a sua marca, comprovaram a aposta na inovação e criatividade dos dois. Em “Lonjura”, tema que resulta de uma parceria entre Toty Sa’med e Sara Tavares, foi puxado “Di Alma”, com Nayela para um momento de homenagem à carinhosamente tratada por mana Sara, que também esteve no alinhamento em “Brincar de casamento”. Cabo Verde voltou a estar presente na morna “Lua Nha Testemunha”, momento marcado pela emoção com Aline Frazão a fazer uma homenagem ao avô que recentemente partiu para a outra dimensão.Das originais, a dona do disco “Insular” brindou e esteve em destaque em “Lugar Vazio”, “Cacimbos”, “Tanto” e “Luz foi”, já o músico, que se moldou na Banda The Kings, da sua lavra pegou em “Lonjura”, “Maldita”, “Bem Bom” e “Dikolenu”, um semba cadenciado. Os artistas neste regresso à Casa das Artes, depois de um mês, revelaram a motivação deste reencontro em palco. Aline Frazão, afastada por razões académicas da música, foi desafiada pelo amigo e não resistiu ao convite. Os dois têm um histórico de vários concertos colaborativos, e no passado, nesta parceria, convidaram Irina Vasconcelos e Gari Sinedima para dois concertos marcantes, no Chá de Caxinde, e no antigo Espaço Bahia. Aline Frazão é cantora, compositora e guitarrista, com uma carreira que atravessa álbuns como “Clave Bantu”, “Movimento” e “Insular”. Toty Sa’med é um dos nomes de culto da chamada nova música angolana, com influências que vão do semba ao jazz. O músico lançou o EP “Ingombota”, em 2016, e o álbum de estreia “Moxi”.




