Cineastas como Jorge Cohen, Sílvio Nascimento, Dénis Miala e outros nomes da grande tela nacional enalteceram, em Luanda, o regresso do FIC Luanda 2026, destacando a diversidade da programação e a importância do festival para a valorização e promoção da sétima arte em Angola.
Em declarações à imprensa, o ministro da Cultura, Filipe Zau, manifestou satisfação pelo regresso do Festival Internacional de Cinema (FIC), após 12 anos de interregno, destacando a importância da sétima arte na reflexão sobre as realidades sociais e na promoção da paz, dos direitos humanos e da justiça social. Na Cinemateca Nacional, onde deu as boas-vindas aos profissionais e amantes do cinema, o governante considerou que esta expressão artística desperta emoções e permite acompanhar o trabalho criativo e comunicacional de actores, produtores e realizadores.
Segundo Filipe Zau, mesmo quando recorre à ficção, o cinema contribui para compreender o quotidiano e denunciar estereótipos, discriminações e segregações que podem estar na origem de conflitos. O realizador, Dénis Miala, considerou uma honra a selecção de “Sapeur: A Grande Burla”, produzido há dois anos, para a abertura do FIC Luanda 2026.
O actor, produtor e presidente da Associação Angolana de Profissionais de Cinema e Audiovisual (APROCIMA), Sílvio do Nascimento manifestou satisfação pelo regresso do Festival Internacional de Cinema (FIC).
O director-geral do FIC Luanda, Jorge Cohen, destacou a responsabilidade e o privilégio de retomar o festival, que reúne 100 filmes de mais de 20 países, dos quais 25 são angolanos.
De 28 de Outubro a 2 de Novembro, o FIC Luanda, segunda a organização, prevê receber cerca de seis mil espectadores, durante os seis dias de programação.
“Sambizanga” revisita memórias da Luta de Libertação Nacional
A História da repressão colonial e da resistência angolana voltou ao grande ecrã, ontem, na Cinemateca Nacional, com a exibição do filme “Sambizanga”, da realizadora Sarah Maldoror, no âmbito da VIII edição do Festival Internacional de Cinema de Luanda (FIC).
A sessão, realizada às 11h00 de ontem, na Cinemateca Nacional, permitiu ao público acompanhar a obra através de tecnologia digital, num momento dedicado à valorização do património cinematográfico e à preservação da memória histórica do país.
Realizado em 1972, “Sambizanga” é um drama de produção franco-angolano-congolesa, inspirado na obra literária “A Vida Verdadeira de Domingos Xavier, de José Luandino Vieira”. O filme retrata a prisão de Domingos Xavier”, um activista angolano detido pela Polícia Política Portuguesa durante o período colonial.
Submetido a interrogatórios e tortura, o protagonista é pressionado a revelar informações sobre os seus companheiros de luta.
A narrativa acompanha também Maria, sua mulher, que percorre diferentes prisões à procura do marido, sem conhecer inicialmente o seu paradeiro.
Por meio da experiência de Maria, Sarah Maldoror dá visibilidade ao sofrimento das famílias afectadas pela repressão colonial e à resistência de um povo empenhado na conquista da Independência.
O elenco conta com Domingos Oliveira, no papel de Domingos Xavier, Elisa Andrade, como Maria, Jean M’Vondo, no papel de Petelo, e Dino Abelino, como Zito.
A exibição de “Sambizanga” integrou a programação do festival, proporcionando uma oportunidade de contacto com uma obra de referência do cinema associado à História de Angola e à Luta de Libertação Nacional.
Janette Mayamona e Mário Cohen




