A forte adesão de mulheres à Feira de Artes marcou, ontem, as celebrações do Dia da Mulher Africana, no Largo do Kinaxixi, em Luanda, uma jornada dedicada à valorização da identidade, do património cultural e do empreendedorismo feminino.
O evento reuniu artistas, artesãs, mamãs bessanganas e delegações nacionais e estrangeiras, transformando o espaço numa montra da riqueza cultural angolana e do protagonismo das mulheres na preservação e promoção das tradições africanas. Em declarações, ontem, ao Jornal de Angola, a directora provincial da Cultura e do Turismo de Luanda, Gersy Pegado, considerou que a realização da Feira de Artes, promovida pelo Governo Provincial de Luanda, em alusão ao Dia da Mulher Africana, constitui uma oportunidade para valorizar e divulgar o potencial artístico e cultural da província, através da exposição dos trabalhos desenvolvidos por artesãos de vários municípios. Segundo a responsável, a feira acolheu representantes dos municípios do Rangel, Viana, Camama e Talatona, proporcionando uma mostra da riqueza do artesanato local. O evento, destacou, foi prestigiado pela presença da Primeira-Dama de Angola, Ana Dias Lourenço, e das Primeiras-Damas da OAFLAD, que tiveram a oportunidade de conhecer parte da História e do Património Cultural do país. Gersy Pegado referiu que a visita teve início junto à estátua da Rainha Njinga Mbande, onde foi apresentada uma contextualização histórica pelo investigador Horácio Dá Mesquita, seguindo-se um percurso pelas representações gráficas existentes no Largo do Kinaxixi. A directora provincial da Cultura de Luanda salientou que a iniciativa permitiu evidenciar várias expressões culturais e criativas, incluindo artesanato, pintura, escultura, cestaria, rendas, tecnologia e inovação, sublinhando que, embora se trate de uma mostra de pequena dimensão, esta representa, de forma significativa, o trabalho desenvolvido pelos artistas e artesãos da província. Por fim, reforçou que a feira, alusiva ao Dia da Mulher Africana, representa uma homenagem à criatividade, ao Património Cultural e ao talento dos artistas angolanos, enaltecendo a honra do evento acolher a delegação da OAFLAD. O artista plástico Anacleto Mulamba afirmou que participou na Feira de Artes, com cerca de 40 quadros, representativos de diferentes técnicas e temáticas da pintura angolana.Segundo o artista, a exposição integra obras de paisagens, retratos e composições produzidas com tinta a óleo e tinta de areia, procurando evidenciar a riqueza da arte africana e o trabalho desenvolvido ao longo dos anos. Anacleto Mulamba destacou que já formou vários artistas plásticos, muitos dos quais desenvolveram identidade artística própria e actualmente produzem obras assinadas com os seus próprios nomes. Na exposição, acrescentou, além de trabalhos da sua autoria, levou igualmente quadros produzidos por antigos alunos, evidenciando o impacto do processo de formação e da continuidade da arte. A representante das Mamãs Bessanganas, dos municípios da Samba, Kilamba, Benfica e Mussulo, Ana Francisco, conhecida como “Mamã Ana”, considerou que a Feira de Artes reforça a valorização da cultura africana e promove a união entre as mulheres do continente. Mamã Ana afirmou que a iniciativa permitiu destacar o vestuário, o artesanato e outras expressões culturais africanas, além de proporcionar o intercâmbio com delegações de vários países.




