A Cultura angolana está na base da formação da identidade afro-brasileira, afirmou ontem, em Luanda, a ministra de Estado da Cultura da República Federativa do Brasil, Margareth Menezes, no segundo dia de visita de quatro dias ao país.
Na ocasião, o ministro Filipe Zau e a ministra de Estado da Cultura da República Federativa do Brasil foram unânimes em destacar que o fortalecimento das capacidades institucionais e a qualificação dos profissionais da cultura são condições essenciais para o desenvolvimento sustentável do sector Cultural. Filipe Zau e Margareth Menezes reconheceram que os dois países compartilham uma memória singular, construída ao longo de séculos quer a nível cultural quer histórico, destacando o compromisso de fortalecer iniciativas voltadas à preservação e valorização da diáspora africana, da memória dos povos afro-descendentes e das contribuições das culturas africanas para a formação das identidades nacionais e do Brasil. Ao longo do encontro, foi assinado um Memorando de Entendimento para a cooperação no domínio da Cultura e das Artes, celebrando, assim, o Plano de Acção para a Cooperação Cultural Angola-Brasil 2026-2028, instrumento que vai orientar a implementação da agenda bilateral nos próximos anos. Em declarações à imprensa, Filipe Zau descreveu que com esta cooperação se pretende desenvolver uma série de actividades com todas as disciplinas artísticas, entretanto, vai se desenhar actividades que estejam ligadas ao acordo assinado. Ambos os países, prosseguiu, têm uma relação de profundidade há muitos anos, por isso, é necessário que se faça uma regulamentação da amizade, efectividade e consanguinidade, porque, do ponto de vista histórico, “Angola contribuiu bastante com afro-descendentes levados ao Brasil”, afirmou. Para Margareth Menezes, o memorando assinado vai ajudar na formação dos fazedores culturais angolanos, por meio da Escola Solano Trindade de Cultura e Economia Criativa, no sentido de reafirmar a importância da promoção da igualdade de género nas Políticas Culturais.As autoridades manifestaram o compromisso de estimular a participação, a liderança e o protagonismo das mulheres nas artes, na economia criativa, na preservação do património e na gestão cultural, reconhecendo a contribuição fundamental para a diversidade e o desenvolvimento cultural entre Angola e o Brasil. Visita ao HuamboDe acordo com o programa de visita, a ministra de Estado da Cultura da República Federativa do Brasil, Margareth Menezes, vai trabalhar hoje, na província do Huambo e amanhã vai efectuar uma visita institucional ao Cine Teatro Nacional, Cinemateca Nacional de Angola, Museu Nacional da Escravatura e Mercado do Artesanato, em Luanda. No Huambo, a comitiva brasileira, liderada por Margareth Menezes, vai ser recebida pelo trigésimo sétimo soberano do Reino do Bailundo, Tchongolola Tchongonga. Além do Reino do Bailundo, a ministra de Estado da Cultura da República Federativa do Brasil vai efectuar, pelas 14h00, uma visita institucional ao Centro Cultural Manuel Rui,à Feira de Artes e Literatura, bem como às demais dependências do centro. Ao cair da noite, os grupos tradicionais do Huambo e a artista Edna Mateia vão se exibir e apresentar o talento artístico local à comitiva brasileira.




