O escritor Dias Neto, autor do livro “O Homem Sem Cabeça”, considerou sábado, em Luanda, que a literatura angolana está num período de grande entusiasmo criativo, marcado pelo aumento do número de publicações e o crescente interesse de escritores e leitores.
Em declarações ao Jornal de Angola, o escritor afirmou que o mês de Julho confirmou essa dinâmica, com diversos lançamentos de obras e a reabertura das inscrições ao Prémio Literário Sagrada Esperança, iniciativa que voltou a mobilizar autores de várias partes do país. Segundo Dias Neto, a procura pelo regulamento do concurso demonstra o impacto da iniciativa no meio literário. “Recebi muitas solicitações de pessoas interessadas em ter acesso ao regulamento do prémio”, revelou. Apesar do momento positivo, o escritor alertou para as dificuldades que continuam a afectar o mercado editorial angolano, destacando os elevados custos de produção dos livros, que encarecem o preço final das obras, numa altura em que muitas famílias enfrentam dificuldades económicas. Acrescentou ainda que a distribuição continua a ser um dos principais entraves, a par da escassez de patrocinadores e da quase inexistência de bolsas de criação literária. Na sua perspectiva, os prémios literários representam um importante incentivo à criação e ajudam a colmatar a falta de mecanismos de financiamento para os escritores. Por isso, defendeu que, além da continuidade do Prémio Literário Sagrada Esperança, o Ministério da Cultura deve reactivar também os prémios António Jacinto e Jardim do Livro Infantil, por considerar que integram um legado cultural que importa preservar. Entretanto, Dias Neto explicou, que o livro “O Homem Sem Cabeça”, lançado a 5 de Março, na União dos Escritores Angolanos (UEA), com a chancela da “É Sobre Nós Editora”, continua a ser bem acolhido pela comunidade leitora.




