A exposição “O Retorno ao Solo”, do artista plástico Semaj, patente na Galeria Tamar Golan, em Luanda, constitui para o criador um gesto de celebração da resiliência, dignidade e riqueza do quotidiano que sustenta o tecido cultural de Angola.
Em “A Extensão da Praça”, “Roda-Kixikila”, “Ponto de Encontro”, “Balanço da Mulemba” e outras obras da presente produção pictórica de Semaj afirmam-se como uma verdadeira arqueologia visual da identidade e do quotidiano africano, onde a pintura transcende a mera representação para se afirmar como um exercício de memória, pertença e reconexão com as raízes culturais. Ao reflectir sobre a exposição, o curador Bonança Lueno considerou que a obra de Semaj se afasta conscientemente de uma abordagem estritamente documental, optando por um expressionismo telúrico que transforma a superfície pictórica num espaço de evocação e permanência. A exposição, disse, afirma-se como um espaço de reconhecimento da humanidade inscrita nas experiências comuns, convidando o público a reencontrar, através da pintura, as narrativas, os valores e os vínculos que continuam a moldar a identidade colectiva angolana. Semaj apresenta a sua dimensão simbólica e histórica, revelando a força silenciosa dos gestos, dos afectos e das práticas que sustentam a continuidade da cultura angolana. A sua pintura propõe, assim, um regresso ao solo enquanto lugar de origem, de memória e de resistência, onde a identidade se constrói através da relação permanente entre o passado ancestral e a experiência do presente.




