A criatividade, o empreendedorismo e a valorização da identidade cultural estiveram em destaque na Feira Criativa Pan-Africana da Juventude Criativa pela Paz e Desenvolvimento, que terminou sábado, em Luanda, com a participação de mais de 15 expositores.
Apesar do potencial demonstrado pelos jovens criadores, a iniciativa registou fraca afluência de público, durante os dois dias. Realizada no Prova d’Art Miramar, a feira enquadrou-se nas actividades da Cimeira Extraordinária da União Africana sobre a Prevenção e Resolução de Conflitos em África e procurou dar visibilidade a jovens empreendedores e produtores do sector Cultural e Criativo.
A iniciativa serviu também para mostrar que o país dispõe de capacidade empreendedora no domínio da economia criativa, com artistas e jovens produtores interessados em transformar a criatividade em actividade económica e encontrar novas oportunidades de negócio para além dos tradicionais centros de produção e comercialização.
Durante sexta-feira e sábado, artesãos, empreendedores e criadores de diferentes pontos de Luanda apresentaram produtos que associam criatividade, identidade cultural e potencial comercial. Na montra estiveram roupas, acessórios e diversas peças artesanais, com destaque para trabalhos produzidos manualmente.
Entre os expositores, o Jornal de Angola encontrou as jovens Marta Sudila e Jaella Kanda a dar acabamento a um acessório em crochê, enquanto Alfredo Domingos trabalhava na escultura de peças em madeira.
Para Marta Sudila e Jaella Kanda, a produção de peças em crochê, além de representar uma actividade criativa, funciona como uma forma de terapia e ajuda a aliviar o stress. As jovens consideraram a participação na feira uma experiência “surreal”, embora tenham lamentado a fraca presença de visitantes.
A expositora Sandra Pedro defendeu que a realização de feiras artísticas e criativas é fundamental para dinamizar a economia, aumentar a visibilidade dos criadores e fortalecer a identidade cultural das comunidades.
A reduzida afluência de visitantes foi, no entanto, uma das principais preocupações manifestadas pelos participantes. Uma das expositoras, dedicada à comercialização de trajes africanos, resumiu o ambiente vivido no espaço: “Está tudo parado”.
Apesar da fraca movimentação, a feirante mostrou-se esperançosa de que as próximas edições possam beneficiar de maior divulgação e atrair um número mais significativo de visitantes.
A mesma preocupação foi manifestada por Alexandre Mateus, colaborador da Editora Tamoda, que explicou que já participou em outras feiras e está habituado à dinâmica deste tipo de iniciativas.
Segundo o responsável, a edição terminou com um movimento abaixo do registado noutras actividades em que participou.
“Esta está um pouco mais calma e com pouca afluência, diferente das outras em que participámos, que estavam mais movimentadas”, observou.
Para Alexandre Mateus, a fraca participação do público, sobretudo dos jovens, poderá estar relacionada com a insuficiente divulgação da iniciativa.
“Acredito que houve pouca divulgação por parte da organização. Neste tipo de actividade deve apostar-se mais na divulgação, de modo que o público participe de forma massiva”, defendeu.
Apesar dos constrangimentos, a feira deixou patente a existência de uma geração de criadores interessados em transformar saberes, técnicas artesanais e expressões culturais em produtos com valor económico, reforçando o papel da economia criativa como uma alternativa de empreendedorismo e valorização da cultura nacional.



