Histórias de pessoas, experiências do quotidiano e episódios inspirados na realidade angolana dão corpo ao livro “Resistentes - os que não podiam ficar em casa”, de Marcolino Baptista, apresentado, na União dos Escritores Angolanos (UEA), em Luanda.
Recorrendo à sátira, ao humor e à observação crítica, o autor constrói uma narrativa que procura levar o leitor a transitar entre o riso e a reflexão sobre diferentes aspectos da sociedade angolana.
A obra, apresentada na quinta-feira, publicada pela Okusima Editora, com uma tiragem de 500 exemplares, aborda, entre outros temas, as vivências laborais e sociais dos angolanos que, às vésperas e durante a pandemia da Covid-19, não puderam permanecer em casa por estarem ligados a actividades consideradas essenciais para o funcionamento da sociedade e de diferentes sectores públicos.
Para o apresentador da obra, António José Francisco, “Resistentes - os que não podiam ficar em casa” constitui uma ferramenta de leitura e reflexão, escrita numa linguagem simples e de fácil interpretação.
Segundo o apresentador, o livro segue uma linha característica da nova geração de escritores angolanos. A obra inicia com romance e termina com cinco contos.
Escritos em Luanda, os textos cruzam personagens e histórias inspiradas em diferentes ambientes da sociedade angolana, desde a vida de uma zungueira ao quotidiano de um deputado, passando pelas revelações de um poderoso ministro e pelas acções do Presidente da República.
Essas figuras dão vida a uma narrativa marcada por questões culturais, políticas e sociais, pelas relações humanas e pelas contradições da sociedade, com particular atenção às chamadas “bandeiras” do considerado “quarto poder”.
A primeira parte da obra foi escrita durante o período da pandemia da Covid-19 e revisita os impactos provocados por aquele momento excepcional, bem como os comportamentos de uma sociedade confrontada com uma das maiores crises sanitárias da história recente.
Na segunda parte, o autor reúne crónicas escritas em 2023, inspiradas em pessoas e experiências da sua própria vivência. Através da sátira, do humor e da observação crítica, Marcolino Baptista aborda situações do dia-a-dia que, entre o riso e a reflexão, permitem ao leitor olhar de outra forma para a realidade angolana.
Entre personagens, histórias, humor e crítica so- cial, António José Francisco considera que “Resistentes” convida o leitor a reconhecer Angola, questioná-la e eventualmente reconhecer-se nela.
Literatura como memória
Para o coordenador da Okusima Editora, Carlos José Francisco, a publicação da obra não representa apenas o lançamento de mais um livro, mas também a valorização da capacidade de observação social e cultural do autor.
Segundo o responsável, a criatividade de Marcolino Baptista permitiu transformar experiências e observações do quotidiano em palavras, deixando um registo que poderá ser preservado para as próximas gerações.



