O Cazenga transforma-se, a partir de hoje, num território de criação, investigação e partilha artística, com o início de uma residência artística que vai reunir oito jovens artistas, convidados a explorar a rua enquanto espaço de memória, afecto, identidade, convivência e oralidade.
Promovida pela Fundação BAI, por meio do projecto Arte nas Comunidades, em parceria com o Centro de Animação Artística do Cazenga (Anim'Art), a residência decorre até 9 de Outubro do corrente ano, e pretende aproximar a criação contemporânea das vivências das comunidades urbanas angolanas.
Durante 30 dias, os artistas vão desenvolver trabalhos a partir das experiências, histórias e memórias encontradas no quotidiano do município, tendo como uma das referências a obra “Os da Minha Rua”, do escritor angolano Ondjaki.
A proposta parte precisamente da ideia da rua como território de memória colectiva, onde convivem histórias pessoais, relações de vizinhança, infância, afectos e diferentes formas de expressão da identidade urbana.
Segundo o director Artístico do Anim’Art, João Carlos Domingos, a iniciativa tem uma dimensão simultaneamente formativa, criativa e comunitária, procurando proporcionar aos participantes condições para desenvolverem investigação e criação com acompanhamento especializado.
A residência pretende, assim, criar um espaço de experimentação para artistas emergentes, permitindo-lhes aprofundar linguagens e desenvolver obras a partir da relação directa com o território e as comunidades.
A escolha do Cazenga, disse, está relacionada com a forte identidade comunitária e histórica do município e com a existência do Anim’Art, que assume o papel de parceiro local da iniciativa.
O centro, explicou, disponibiliza os espaços de atelier e a galeria onde decorrem, respectivamente, o processo de residência e a exposição final.
Para João Carlos Domingos, a presença dos artistas no município permite estabelecer uma relação mais próxima entre a produção artística contemporânea e as experiências de quem vive diariamente naquele território.
A programação inclui atelier diário, das 8h30 às 17h30, com possibilidade de prolongamento facultativo até às 20h00, além de seminários e workshops obrigatórios. Os participantes terão igualmente sessões semanais de mentoria individual com o curador residente e com um mentor de produção.
O processo, detalhou, culmina numa exposição pública na Galeria do Anim’Art, com a apresentação de até 24 obras originais e inéditas, resultantes do trabalho desenvolvido pelos oito residentes. Está igualmente prevista a produção de um catálogo digital.
Diversidade de linguagens
A residência contempla diferentes áreas de criação, entre pintura, desenho, escultura, fotografia, têxtil, cerâmica, instalação e novos media. O regulamento, disse, admite vídeo, performance e práticas multidisciplinares.
A selecção dos oito participantes, detalhou, foi realizada por um júri, tendo em conta a qualidade e coerência dos portfólios, a relação com o tema da residência, a diversidade disciplinar e a proveniência provincial dos candidatos, além das cartas de intenção.
A organização assegurou também a paridade de género, com a participação de quatro mulheres e quatro homens. O projecto, frisou, procura responder ao crescente interesse de jovens artistas por programas estruturados de residência, onde possam encontrar não apenas espaço e tempo para criar, mas também acompanhamento, formação e orientação profissional.
Fundação BAI aposta na nova geração
De acordo com a direcção do Anim’Art, a Fundação BAI assume a promoção da residência por meio do projecto Arte nas Comunidades, assegurando as condições necessárias para o desenvolvimento do programa, nomeadamente o espaço de atelier, equipamentos, feiras, encontros artísticos e entrega de subsídios destinados aos participantes.



