A 4.ª edição do Mostra de Corte e Costura “MOCCO” transformou o Palácio de Ferro, em Luanda, numa montra privilegiada da criatividade nacional, ao reunir, no espaço, artesãos, empreendedores e criadores que encontraram, na produção artesanal uma forma de preservar a identidade cultural, dinamizar a economia criativa e afirmar o talento angolano.
Durante o fim-de-semana, a diversidade de artigos expostos evidenciou a vitalidade do artesanato nacional e a crescente participação das mulheres no fortalecimento das indústrias Culturais e Criativas. Entre as expositoras, Sónia Martinho conquistou a atenção dos visitantes com uma vasta colecção de peças em croché, produzidas manualmente e marcadas pela riqueza dos detalhes, criatividade e acabamento. A exposição integrou conjuntos de saias, calções, chapéus, pastas de diferentes tamanhos e modelos, bem como brincos, colares e outros acessórios que evidenciaram a versatilidade da técnica artesanal. Sónia Martinho frisou que o contacto com o croché começou na infância, período em que aprendeu os primeiros pontos e desenvolveu o gosto pela arte manual. Contudo, devido às exigências da vida profissional, acabou por interromper a prática durante vários anos. A mesma contou que foi durante o período de confinamento, imposto pela pandemia da Covid-19, que reencontrou no croché uma forma de ocupar o tempo, aliviar o impacto emocional provocado pelo isolamento e redescobrir uma paixão antiga. O passatempo rapidamente transformou-se numa actividade económica e numa oportunidade para valorizar um saber tradicional. A artesã considerou o croché uma arte capaz de proporcionar bem-estar físico e emocional, além de contribuir para a geração de renda de inúmeras famílias. “É uma arte bonita e terapêutica”, afirmou, defendendo um maior incentivo à formação de jovens e mulheres interessadas em aprender o ofício e preservar a tradição artesanal. Também em destaque, na feira, esteve a expositora Ângela Laranja que apresentou uma variedade de artigos destinados à decoração e organização do lar. O seu espaço reuniu toalhas de mesa, bases em croché, utensílios decorativos, entre outras peças produzidas artesanalmente, concebidas para aliar funcionalidade, elegância e identidade cultural. A representante da marca “Ângela Laranja” explicou que o projecto foi criado há cerca de três anos e se dedica à produção de artigos para casa, procurando responder às necessidades de um mercado cada vez mais interessado em produtos personalizados e confeccionados manualmente. Para a empreendedora, a participação em feiras culturais representa uma oportunidade de divulgar o trabalho desenvolvido, estabelecer contacto directo com os consumidores e fortalecer a marca no mercado nacional. Acrescentou ainda que iniciativas do género permitem incentivar outras mulheres a investir no empreendedorismo e a transformar o talento em fonte de rendimento. No âmbito das celebrações do Dia da Mulher Africana, Ângela Laranja deixou uma mensagem de incentivo às angolanas, apelando para que permaneçam resilientes perante as dificuldades, persistentes na concretização dos seus objectivos e determinadas a ocupar espaços de liderança nos mais diversos sectores da sociedade. As peças apresentadas evidenciaram a capacidade de inovação da moda africana contemporânea, aliando elementos tradicionais a propostas modernas e reafirmando o vestuário de inspiração africana como uma importante expressão da identidade cultural do continente. Ao longo da feira, os expositores demonstraram que o artesanato e a moda constituem importantes instrumentos de preservação do património cultural, promoção da criatividade e fortalecimento da economia criativa. A forte adesão do público confirmou o crescente interesse dos consumidores por produtos de produção artesanal, reforçando o papel destes eventos na valorização dos artistas, artesãos e empreendedores nacionais. A quarta edição da Mostra de Corte e Costura (MOCCO), um evento dedicado à valorização da moda angolana, dá formação técnica e do empreendedorismo criativo. A iniciativa foi promovida pelo Palácio de Ferro, numa parceria com Agência Nacional das Indústrias Culturais e Criativas (ANICC).




