Os dez finalistas da gala da 29.ª edição do Festival da Canção de Luanda foram apresentados na quarta-feira, no pátio da emissora Luanda Antena Comercial (LAC), promotora do evento, num encontro que contou com a presença do músico Yuri da Cunha e membros da direcção da estação radiofónica.
Durante o encontro, a directora da LAC, Luísa Fançony, destacou que, ao longo de quase três décadas de existência do festival, foram criadas centenas de canções, algumas das quais de grande qualidade e outras que não conseguiram permanecer na memória do público. A responsável sublinhou que a organização tem trabalhado no sentido de recuperar a grande tradição da canção angolana e dar continuidade ao legado deixado por exímios compositores de gerações anteriores, que se dedicavam à criação musical com esmero, valorizando a melodia e a poesia. “Andamos à procura da canção angolana, mas ainda não encontramos. Queremos que seja uma simbiose entre aquilo que é moda, dominada pela tendência ocidental e universal, mas, sobretudo, com muito do nosso carácter musical, cadenciado com os instrumentos tradicionais nacionais, como a marimba, a kissanji e outros. Não tem sido fácil e posso dizer que falta atingir este objectivo”, revelou. Luísa Fançony disse aguardar com expectativa a actuação dos dez concorrentes, marcada para o dia 25 de Setembro, em Luanda, na expectativa de que um ou vários compositores consigam corresponder às exigências daquilo que actualmente é designado por world music, género que pode ser ouvido em qualquer parte do mundo, mas sem perder as características da rítmica angolana. “Gostávamos muito que os compositores da actualidade trouxessem para os festivais esse tipo de canção. Este ano, além do registo, pedimos que os candidatos fizessem uma actuação, resultando na escolha deste elenco. Penso que temos boas vozes, mas temos muito a melhorar sobre a letra”, observou. A autora de “Só o Amor”, Delnata Praia, uma das dez concorrentes, manifestou satisfação por integrar a selecção, considerando a presença no festival um momento de vitória na sua carreira, tendo em conta os critérios e o historial de uma iniciativa que já revelou vozes de grande dimensão no panorama musical nacional. “Poder estar neste palco é um privilégio. É uma edição com concorrentes muito fortes, com temas muito bons. Qualquer um tem talento e força para ser vencedor”, partilhou. Por sua vez, o concorrente Gonçalves Coxe, que apresenta o tema “Só da Terra”, considerou a experiência maravilhosa desde o período das audições, destacando os ensinamentos e a orientação artística proporcionados pelo festival. “Ser um artista que tem a assinatura do Festival da Canção tem outro peso. Encontrei colegas muito fortes e sabemos que o júri terá um trabalho muito difícil no dia da gala”, frisou. Além de Delnata Praia e Gonçalves Coxe, integram a lista de finalistas Wilson Golombole, Leonel Filho, Kelson Jacinto, Ismael Benguela, Victor António, Lio Francis, Nelly Lucas e Satchivinda. Yuri da Cunha garante ritmos do semba na galaTendo como lema “Ritmos e Sabores de Angola”, o músico Yuri da Cunha é o grande convidado da gala da 29.ª edição do Festival da Canção de Luanda, onde promete partilhar a sua experiência e o seu saber com os dez concorrentes, para quem a participação no certame representa também uma oportunidade de aprendizagem e crescimento artístico. Conhecido pela forte ligação ao semba e à música angolana, Yuri da Cunha destacou a importância de valorizar os artistas mais-velhos que contribuíram para a construção da identidade musical nacional. Em relação ao repertório, Yuri da Cunha adiantou que vai interpretar alguns dos seus temas de maior sucesso, além de outras obras representativas do cancioneiro musical angolano.




