Filme “Isuamu” rompe com tradições dos casamentos forçados pelas famílias

As filmagens da curta-metragem “Isuamu”, com argumento de Lito Silva e realização de Óscar Gil, terminaram na terça-feira, na cidade do Lubango. A produção foi concluída em apenas cinco dias, metade dos dez inicialmente previstos.
A obra de ficção aborda a ruptura com a tradição dos casamentos forçados, impostos pela vontade dos pais, prática observada em algumas comunidades rurais, muitas vezes por interesses materiais. Segundo o realizador, trata-se de um costume que remonta ao período pré-colonial, quando as uniões também serviam para consolidar alianças e alcançar poder. Óscar Gil, que assina a co-realização com o filho, Eurico Pereira, afirmou ontem ao Jornal de Angola que, embora a narrativa decorra num cenário africano, a problemática retratada ultrapassa as fronteiras do continente. “O fenómeno dos casamentos arranjados ocorre na Europa, Ásia, América, África e em várias outras partes do mundo”, sublinhou o cineasta, acrescentando tratar-se de uma história intemporal e universal. Isuamu, personagem que dá título ao filme, é interpretada pela actriz Kassandra Pascoal. O drama acompanha Isuamu e Okulo, interpretado por Pascoal António, um casal que se encontra secretamente à beira de um rio. O pai da jovem, António Kalapato (Nefwa Kwa Nzinga), deseja vê-la casada com o velho Mwata Kongolo. No entanto, Isuamu escolhe permanecer ao lado do jovem caçador Okulo, enfrentando as imposições da tradição e linhagem real. Determinada a decidir o próprio destino, Isuamu renuncia aos títulos e ornamentos da Realeza diante do povo, rejeita um casamento que nunca escolheu e parte com Okulo, optando pelo amor e liberdade em vez do trono que a aprisionava. Segundo Óscar Gil, o filme aborda uma questão sensível, relacionada com as tradições. “O mundo é dinâmico. Hoje, muitas jovens, graças aos estudos e à evolução da sociedade, já não aceitam casamentos por conveniência e procuram romper com essas práticas. É essa ruptura que o filme procura retratar”, explicou o realizador sobre a opção narrativa do argumento de Lito Silva. O cineasta acrescentou que, após várias conversas com o argumentista, decidiram não situar a história numa região específica de África, por entenderem que o problema é transversal ao continente. Financiamento da CPLPIntegrado no programa de financiamento de projectos audiovisuais da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), “Isuamu” recebeu um financiamento de 18 mil euros, valor idêntico ao atribuído às restantes curtas-metragens seleccionadas. Em Agosto, o projecto entra na fase de edição, que deve se prolongar até Outubro do ano em curso.


