O historiador e professor universitário Leonardo Tuyenikumwe defendeu, em Moçâmedes, a necessidade de um maior investimento na preservação do património cultural e histórico da província do Namibe, alertando para o estado de degradação de vários monumentos, sítios arqueológicos e bens de elevado valor histórico.
Em declarações ao Jornal de Angola, o académico afirmou que a província tem um dos mais ricos acervos patrimoniais do país, integrando vestígios arqueológicos, monumentos da Época Colonial, património natural e um vasto conjunto de tradições culturais dos povos que habitam a região. De acordo com o responsável, considera a preservação do património local essencial para salvaguardar a identidade e a memória colectiva das comunidades, por esse legado constituir igualmente um importante factor para impulsionar o turismo cultural e dinamizar a economia local. Entre os principais bens patrimoniais existentes na província, Leonardo Tuyenikumwe destacou as Pinturas Rupestres do Tchitundo-Hulu e do Caraculo, o Forte de São Fernando, o Centro Histórico de Moçâmedes, a antiga Igreja Católica da cidade, o Arquivo Histórico, o Parque Nacional do Iona e o Museu Regional do Namibe. Relativamente ao Museu Regional, considerou importante uma reestruturação da instituição para melhorar as condições de acolhimento, conservação e exposição das peças históricas, permitindo uma valorização mais eficaz do património que alberga. Apesar da riqueza patrimonial existente, o historiador manifestou preocupação com o estado de conservação de vários edifícios históricos e sítios arqueológicos, defendendo a implementação de medidas urgentes de restauro, vedação, sinalização e catalogação. “O Património Histórico necessita de maior protecção para evitar actos de vandalismo e assegurar que este legado seja preservado para as futuras gerações”, advertiu. Património imaterialAlém da preservação dos monumentos e sítios históricos, Leonardo Tuyenikumwe defendeu que o património material deve caminhar em sintonia com a valorização do património imaterial, considerando fundamentais as línguas nacionais, as danças tradicionais, gastronomia, artesanato e os costumes das comunidades locais para a afirmação da identidade cultural da província. Na sua perspectiva, a realização de festivais culturais, concursos escolares, feiras e outros eventos dedicados às manifestações tradicionais constitui um instrumento eficaz para aproximar os jovens da História e das tradições locais, reforçando o sentimento de pertença e identidade. O docente defendeu igualmente um maior envolvimento das escolas, universidades, autoridades tradicionais e comunidades na educação patrimonial, por meio da promoção de visitas de estudo, programas de sensibilização e actividades voltadas para o conhecimento da História e cultura do Namibe. Turismo Cultural Leonardo Tuyenikumwe salientou que o Tturismo cultural representa uma oportunidade estratégica para diversificar a economia provincial, gerar rendimentos para as comunidades, promover o artesanato e a gastronomia e divulgar, junto de visitantes nacionais e estrangeiros, a riqueza histórica e cultural do Namibe. Embora reconheça os esforços já desenvolvidos pelo Executivo no domínio da Cultura, o historiador considera importante reforçar o investimento público no sector, criar políticas mais inclusivas e aumentar o financiamento destinado à conservação do património e ao apoio dos grupos culturais. Como legado para as futuras gerações, defendeu a preservação da identidade cultural dos povos da província, sublinhando que proteger o património significa conservar a memória colectiva, os valores, História e a educação de um povo. “Quem preserva o património preserva a sua identidade. Um povo sem identidade perde a sua História, os seus valores e a sua memória. Não devemos deixar apenas o deserto e o mar às futuras gerações. Devemos deixar também a nossa História, as nossas línguas, as nossas danças e os nossos valores. Esse é o maior legado que podemos transmitir”, finalizou.




