Novo espaço vai abrir portas à arte emergente em Luanda

A arte angolana ganhou um novo espaço, com a inauguração da Villa Criativa Galeria, que abriu oficialmente as portas, na noite de sexta-feira, no Morro Bento, em Luanda, num ambiente marcado pela expectativa de conhecer um recinto pensado para acolher novos talentos e criar oportunidades de circulação para a produção artística.
Antes mesmo da abertura da exposição, os convidados percorriam o espaço, observavam as paredes preparadas para receber as obras e trocavam impressões sobre a necessidade de existirem mais galerias dedicadas aos artistas emergentes. A inauguração da galeria constituiu, assim, o primeiro momento da noite e apresentou ao público a missão de um projecto que pretende ir além da simples exibição de obras. Pouco depois, a atenção voltou-se para as pinturas de IraCordeiro, nome artístico de Iracelma Cordeiro, que marcou a abertura da programação da nova galeria com a exposição individual “O Invisível Também Pinta”. O segundo momento da noite colocou frente a frente o público e uma colecção que levou cerca de dois anos para ser preparada. A exposição reúne 24 quadros, acompanhados por poemas originais assinados por Borboleta, numa proposta em que a pintura e a palavra estabelecem um diálogo permanente. As obras convidam o visitante a olhar para além daquilo que é imediatamente visível e a descobrir emoções, memórias e histórias sugeridas pelas cores, texturas e versos. A exposição “O Invisível Também Pinta” vai permanecer patente até ao dia 7 de Setembro do corrente ano, podendo ser visitada de terça-feira a sábado, das 17h00 às 21h00. Em declarações ao Jornal de Angola, IraCordeiro descreveu como “um sentimento muito grande” a possibilidade de inaugurar a galeria, e, simultaneamente, apresentar, pela primeira vez, uma colecção individual num espaço criado com o propósito de dar visibilidade a artistas emergentes. A artista defendeu que existem muitos criadores com qualidade que permanecem desconhecidos por falta de oportunidades e espaços para apresentar os seus trabalhos. Para a artista, a Villa Criativa pretende responder precisamente a essa necessidade, aproximando artistas, público e diferentes agentes do sector Cultural. Segundo IraCordeiro, um dos principais objectivos do projecto é promover e valorizar a produção artística e cultural, incentivar novos talentos e acolher exposições, lançamentos de livros, workshops, formações, encontros culturais e outras iniciativas capazes de contribuir para o desenvolvimento do panorama artístico angolano. “Mais do que um espaço de exposição, a Villa Criativa surge com o propósito de inspirar, preservar memórias, despertar emoções e criar oportunidades”, afirmou. Quando o invisível ganha outra dimensãoAo explicar o conceito da exposição inaugural, IraCordeiro contou que o título “O Invisível Também Pinta” está relacionado com a própria relação com a exposição pública e a existência de muitos artistas que, apesar da qualidade do trabalho, são pouco conhecidos.


