Três espectáculos, do género drama, que retratam e reflectem sobre a realidade do quotidiano angolano são as propostas de exibição para esta semana, que o palco do Elinga Teatro, em Luanda, vai acolher, a partir de hoje, às 19h00, inseridas na programação da 11.ª edição do Circuito Internacional de Teatro (CIT).
O CIT já vai na sua quarta semana, o Elinga Teatro, único palco histórico de representação cénica, em Luanda, embora em estado “velho” que carece de melhoria na sua estrutura física, na presente edição do evento acolhe semanalmente a exibição dos três espectáculos. Para esta semana, está agendada a actuação dos grupos Tuwizana, com a peça “Homicídio”, o colectivo Arte Sincrónica, com o espectáculo “Sombra no Ventre”, e a agremiação Kimbanguista, com a peça “A Cidade dos Sonhos”. Para hoje, segundo a responsável do CIT, Carla Esmeralda, o grupo de teatro Tuwizana vai apresentar a obra “Homicídio”, uma narração histórica de Luanda, que antes de ser a capital do país, era apenas mar, silêncio e segredos. A peça retrata a chegada a Luanda do fidalgo, navegador e explorador português, Paulo Dias de Novais, numa cidade construída entre ambição, poder, alianças e traições. São Paulo da Assunção de Loanda surgiu não apenas como promessa de grandeza, mas também como palco de conflitos invisíveis. Mas quando o próprio fundador apareceu assassinado, tudo mudou, pois começou a investigação que revelou disputas de terras, documentos desaparecidos, heranças perigosas e verdades enterradas desde a origem da cidade. Entre herdeiros, traidores e homens sedentos por domínio, uma pergunta atravessa o tempo. Quem matou o homem que fundou Luanda? Quem realmente queria ser dono de Luanda? São perguntas que ficam no ar e só vai saber as respostas as pessoas que assistirem ao espectáculo dramático. A encenação de amanhã, está reservada ao grupo Arte Sincrónica, que vai apresentar a obra “Sombra no Ventre”, retratando a História da jovem Júlia, que, após ser vítima de um estupro por um homem em quem confiava, vê a sua vida transformar-se ao descobrir que está grávida. Consumida pela dor, medo e peso da gravidez resultante da violência sofrida, a jovem pensa interromper a gestação. Durante uma experiência onírica, vê-se confrontada pelo próprio feto, com perguntas profundas sobre a culpa, a vida e o direito de existir. A mãe procura ampará-la com palavras de esperança, uma entidade sombria, a personificação do aborto, emerge para manipular os seus pensamentos, assim como conduzi-la à decisão mais extrema. Para a apresentação de sábado, o encenador do grupo de teatro Kimbanguista, da Igreja homónima, Max Kumpenda, confirmou que vai exibir a obra “A Cidade dos Sonhos”. Trata-se de uma peça que retrata a história de um homem que decidiu abandonar a sua terra natal, e, consequentemente, a família em busca dos seus sonhos na cidade metrópole de Luanda, com promessas de voltar, mas, entre promessas e juramentos, o pacto de um esposo e pai fiel é quebrado. Sentindo-se encurralado no tempo e no espaço, o homem procura atribuir as suas culpas e responsabilidades à cidade dos seus sonhos que apenas lhe acolheu. De acordo com o encenador, a peça leva ao público factos sobre a vida, onde cada um pára e reflecte se vale apenas sacrificar a família e a vida por uma aventura! Onde cada um deve enfrentar os seus erros com a mesma coragem que teve em cometê-los, “porque apenas três coisas não devem ser escondidas por muito tempo, nomeadamente o sol, a lua e a verdade!”, concluiu.




