O músico do Moxico Ray Lex pediu domingo, em Luanda, mais inclusão das sonoridades da tchianda nos “grandes” espectáculos na cidade capital, no sentido de divulgar e promover mais o estilo musical e dança.
Em declarações ao Jornal de Angola, o artista da região Leste do país explicou que a tchianda, sendo um património imaterial nacional, deve ser promovida e divulgada de forma massiva, de modo, a se tornar também num "cartão de visita" do país, sobretudo na sua região. A participação dos artistas que cantam a tchianda nos concertos da capital do país, referiu, é uma forma de expressão deste estilo musical, e permite que os espectadores luandenses conheçam o estilo e ajudem na promoção, só assim a tchianda ficará conhecida como a terceira patente da música angolana depois do semba e a kizomba, que já têm um alcance internacional. Outrossim, prosseguiu, promover a música e a dança tchianda envolve unir a tradição da região Leste com as plataformas digitais, por exemplo, deve-se criar desafios de dança, usando os passos tradicionais e divulgar nos canais digitais com maior alcance. “Devemos aplaudir os projectos “Festival Tchole” e ‘Reunião Familiar-Festa da Tchianda’, realizados no Prova d’Art Miramar. Iniciativas desta natureza dão maior visibilidade ao estilo, e as pessoas vão aprender mais sobre a música e a dança tchianda”, realçou. Ray Lex acrescentou que, com estas iniciativas, todos estarão a preservar uma expressão cultural profundamente enraizada na região Leste, só assim vai-se demonstrar a capacidade do estilo em dialogar por via das sonoridades. “Por meio das poucas participações em espectáculos em Luanda, estamos a conseguir conquistar o mercado luandense, pois, sempre foi o nosso desejo fazer parte de espectáculos na capital do país”, enfatizou. Para o músico, a música angolana é como um “arco espiral”, em que cada segmento tem um determinado ritmo, e a tchianda tem um compasso próprio, por isso, além de valorizar um único estilo, deve-se ter atenção em todos os estilos, porque fazem parte da identidade e da riqueza rítmica dos angolanos. O artista apelou ao resgate de outros estilos, além do semba e a kizomba, como é o caso da tchianda, por ser um estilo musical e dança atraente, mas, “infelizmente é ainda pouco financiado, no sentido de atingir uma maior abrangência nacional e quiçá internacional”. “Para isso, é necessário fazer a fusão entre a tchianda, semba e a kizomba, assim como se familiarizar com o mercado e os músicos da capital de Angola. Já há muitos artistas que saem do Leste do país e migram, no sentido de ensinar a dança tchianda aos estrangeiros”, revelou. Ray Lex aproveitou a ocasião para anunciar a gravação do novo trabalho discográfico a ser apresentado no fim deste semestre ou princípio de 2027, e a obra tem 30 por cento de execução, porém, é necessário financiamento para a conclusão do disco.




