O cantor gospel Tomás Baltazar defendeu, ontem, durante o concerto realizado no Memorial Dr. António Agostinho Neto, em Luanda, que a música cristã deve assumir um papel activo na transformação da sociedade, contribuindo para o resgate dos valores cívicos, patrióticos e espirituais dos angolanos.
Em declarações ao Jornal de Angola, o artista explicou que o espectáculo foi concebido para proporcionar ao público um momento de reencontro com Deus, aliado à promoção dos valores cívicos e patrióticos, numa iniciativa que procura reforçar o papel da música cristã na formação espiritual e social da comunidade. Segundo Tomás Baltazar, o concerto assentou em dois pilares fundamentais: fortalecer a espiritualidade dos fiéis e incentivar uma cidadania mais consciente e responsável. "O palco gospel deve conduzir as pessoas a um profundo reencontro com Deus. Ao mesmo tempo, entendemos que o cristão também deve ser um cidadão exemplar e patriota, comprometido com a família, com a comunidade e com o desenvolvimento do país", afirmou. O cantor revelou ainda que a preparação do espetáculo exigiu um elevado nível de dedicação por parte de toda a equipa artística e técnica. "Foi um processo exigente, que implicou muitas horas de trabalho, preparação e ensaios. Um concerto representa sempre uma enorme responsabilidade, tanto para o cantor como para os instrumentistas, e procurámos cuidar de todos os detalhes para proporcionar um momento de excelência", disse. Música como instrumento de educaçãoDurante a entrevista, o artista defendeu que a música cristã continua a desempenhar um papel determinante na formação ética e espiritual da juventude, sobretudo numa época em que, na sua opinião, se assiste ao enfraquecimento de alguns valores sociais. Para o artista, a música constitui um reflexo da identidade de um povo e da forma como este pensa, sente e vive, razão pela qual considera que a actual realidade social também se espelha nas produções musicais. "A música cristã propõe uma elevação espiritual. É uma ferramenta capaz de informar, educar e transformar vidas, ajudando as pessoas a superar comportamentos negativos e a reencontrarem valores fundamentais", sustentou. O intérprete acrescentou que o patriotismo deve caminhar lado a lado com a vivência cristã. "Precisamos recuperar a nossa essência enquanto povo. Os angolanos sempre cultivaram valores de respeito, educação e solidariedade. A própria Bíblia apresenta exemplos de homens comprometidos com Deus e igualmente dedicados às suas nações", realçou.Repertório pensado para o público Questionado sobre a selecção das músicas apresentadas no concerto, Tomás Baltazar reconheceu que a escolha do repertório foi uma das fases mais exigentes da preparação do espetáculo, devido ao vasto conjunto de obras disponíveis. Segundo explicou, algumas canções ficaram de fora para dar prioridade àquelas que melhor correspondiam ao conceito artístico e espiritual da apresentação. "A música também deve criar identificação com quem nos ouve. Era importante construir um repertório capaz de envolver toda a assembleia e conduzir o público numa experiência de adoração e reflexão", frisou. Evolução sem perder a essênciaRelativamente aos projetos futuros, o cantor assegurou que pretende continuar fiel às suas raízes musicais, embora acompanhe a evolução da música e as novas dinâmicas culturais. "A evolução implica adaptação às novas realidades culturais e musicais. Continuarei a preservar a minha essência, mas também procurarei explorar novas sonoridades, sempre sem perder a identidade que caracteriza o meu trabalho", declarou. No final da entrevista, Tomás Baltazar agradeceu o apoio do público e sublinhou que a missão da arte só se concretiza quando consegue transformar positivamente a vida das pessoas. "Espero que todos desfrutem deste momento de reflexão e continuem a apoiar os nossos projetos. A arte possui uma função social e só faz sentido quando é partilhada com aqueles que acompanham e valorizam o nosso trabalho", concluiu.




