O especial “Caldo do Poeira”, dedicado às vozes femininas, afirmou-se, domingo, no Prova d’Art Miramar, em Luanda, como uma celebração da identidade cultural angolana, valorizando o contributo das mulheres para a preservação e divulgação da música nacional.
Por meio de interpretações de obras imortalizadas por grandes referências da música angolana e africana, o evento proporcionou ao público uma viagem pela riqueza dos ritmos, das línguas nacionais e da memória artística do país, reunindo três gerações de artistas nacionais. O encontro enalteceu o talento, a força e o legado das intérpretes nacionais, através de um repertório marcado por clássicos e homenagens a grandes nomes da música. A programação foi dividida em dois momentos, reunindo artistas de diferentes gerações, que interpretaram temas consagrados do cancioneiro angolano. Durante a manhã, a abertura esteve a cargo de Mister Kim e Banda Movimento, que prestaram homenagem às mulheres com a interpretação de “Carapinha Dura”, de Teta Lando. Em seguida, Neide da Luz apresentou os temas “Apesar de Tudo”, de Melita, e “Diala”, de Nany. A cantora Malú deu voz a “Kalunga Nguma”, de Buarque, e “Nzala Ya Tula”, de Pedrito, enquanto o duo Judeth & Ester interpretou “Nguxi”, de Belita Palma, e “Zeca”, de Nany. Dina Santos interpretou “Mana Fatita” e “Kazola”. Elisa Barros apresentou “Tchiunguê”, de Joaquim Viola, e “Camisa Preta”, clássico de Tabu Ley Rochereau. Alexandra Bento interpretou “Mwabelela”, de Lourdes Van-Dúnem, Beth Coelho deu voz a “Maka Mami”, de MIG, enquanto Mura apresentou “Mussudi ya Matemu” e “Kimbembe Tradicional”. A programação da tarde deu continuidade à celebração com Malú, que interpretou “Massoxi”, de Pedrito, e “Imbwa”, de Lourdes Van-Dúnem. Neide da Luz regressou ao palco com “Gajajeira”, de Urbano de Castro, enquanto Dina Santos apresentou os temas “Divua Diami” e “O Anel”. O duo Judeth & Ester voltou a actuar com “Dioguito”, de Bangão, e “Nvula”, de Urbano de Castro. A cantora Dorgan Nogueira interpretou “Gienda ya Tata”, de Zizi Mirandela, e “Luzingu Malembe”, de Lina Alexandre, regressando mais tarde ao palco para interpretar “Difuba dya Luísa”, de Dominguinho. As Gingas do Maculusso levaram ao palco temas como “Dizanda” e “Xiami”, regressando no encerramento do evento com “Panguila”, “Filhas de África” e “Fuba”. Já Beth Coelho interpretou “Hungu”, de Tony Caetano, e “Eie wa Messena”, do Coral Vozes da Vida. À saída, a dupla Judeth & Ester explicou que foi gratificante participar num palco que reuniu três gerações de artistas, muitas das quais impulsionaram e tiveram um papel significativo no início das suas carreiras. As cantoras reforçaram que foi uma honra fazer parte do evento. Dina Santos contou que participar da iniciativa foi igualmente gratificante, por simbolizar a passagem de testemunho às futuras gerações que pretendam ingressar na música, em especial às mulheres. O porta-voz do projecto “Caldo do Poeira”, Carlos Bequengue, explicou que a iniciativa de reunir mulheres de diferentes gerações teve como objectivo valorizar e preservar a música nacional, com especial destaque para o contributo feminino. “A ideia surgiu por ser o Mês da Mulher Africana. Como, no mês de Março, não conseguimos proporcionar um Caldo dedicado à mulher angolana, achámos por bem realizar esta edição agora, para assinalar o dia 31 de Julho, data em que se celebra o Dia da Mulher Africana”, afirmou.




