O acesso ao financiamento continua a ser um desafio para o crescimento das empresas angolanas. Segundo o Fundo Monetário Internacional, o crédito bancário ao setor privado representava cerca de 6% do PIB angolano em 2024 e 2025, um indicador que evidencia a necessidade de diversificar as fontes de financiamento e mobilizar capital de longo prazo para a economia.
Ao contrário do financiamento bancário tradicional, o private equity permite aos investidores participar no capital das empresas, associando o apoio financeiro ao acompanhamento estratégico e à criação de valor a longo prazo.
Foi com esta visão que nasceu, em 2008, a Angola Capital Partners (ACP), uma parceria entre o Banco Angolano de Investimentos e a instituição norueguesa Norfund, que esteve na origem do primeiro fundo de private equity direcionado para pequenas e médias empresas angolanas. Quase duas décadas depois, a sociedade inicia uma nova etapa com a nomeação de Adolosi Gomes como Presidente da Comissão Executiva (CEO).
Um percurso pioneiro no investimento privado
Quando a ACP começou a operar, o mercado angolano de private equity era praticamente inexistente. Em 2009, a sociedade criou o Fundo de Investimento Privado Angola (FIPA), reconhecido pelo Banco Europeu de Investimento como o primeiro fundo de private equity do país orientado para pequenas e médias empresas, estabelecidas ou em fase de arranque.
O FIPA surgiu para responder à escassez de instrumentos de capital de risco e de financiamento de longo prazo, numa altura em que o desenvolvimento empresarial exigia alternativas ao crédito bancário.
Com 39 milhões de dólares de capital comprometido, o primeiro fundo abriu caminho a uma segunda iniciativa, o FIPA II, criado em 2016, com 47,5 milhões de dólares. Ambos geridos a partir da sociedade no Luxemburgo e estruturados para investir em empresas angolanas através de participações de capital e outros instrumentos de financiamento de longo prazo.
Desde a sua constituição, a ACP mobilizou mais de 85 milhões de dólares norte-americanos, investidos em empresas de diferentes setores da economia angolana, segundo os dados divulgados pela sociedade.
Mas a sua atuação vai além da disponibilização de recursos financeiros. A ACP procura acompanhar o desenvolvimento das empresas participadas, com intervenção em áreas como a estratégia, a governação corporativa, a gestão financeira e o desenvolvimento de competências. O objetivo é contribuir para organizações mais sólidas, competitivas e preparadas para crescer.
Angola Capital Partners em números
2008
Ano de constituição da ACP, numa parceria Banco BAI e Norfund+85 milhões USD
Capital mobilizado e investido em empresas angolanas39 milhões USD
Capital comprometido do FIPA I47,5 milhões USD
Capital comprometido do FIPA II
Liderança angolana para uma nova etapa
A nomeação de Adolosi Gomes concretiza um objetivo definido desde a constituição da ACP: promover a transferência de conhecimento e preparar uma liderança angolana, capaz de assegurar a continuidade da sua atividade.
Com mais de oito anos de experiência na sociedade, o novo CEO esteve diretamente envolvido na gestão dos fundos FIPA e FIPA II, tanto nas estruturas da ACP em Angola como no Luxemburgo. Anteriormente, exerceu funções de consultor sénior na Deloitte.
A transição foi preparada para preservar a capacidade institucional da sociedade. Tiago Laranjeiro, que até agora liderava a ACP, mantém-se como administrador, assegurando o acompanhamento desta nova fase.
“Com o apoio continuado dos nossos acionistas, a nossa prioridade é continuar a apoiar empresas angolanas com capital de longo prazo e atrair mais investidores, angolanos e internacionais, para contribuir para o desenvolvimento do setor empresarial privado do país”, afirma Adolosi Gomes.
Do capital ao crescimento das empresas
Ao longo do seu percurso, a ACP investiu em diferentes setores da economia angolana. Entre os exemplos estão a Fazenda Girassol, dedicada à produção e distribuição agrícola; a Orey África, que presta serviços de logística e transporte;a Betablocos, ligada à produção de materiais de construção; e a Angola Environmental Services, especializada na gestão de resíduos do setor petrolífero.
Estes investimentos ilustram a aposta no desenvolvimento de atividades produtivas e na criação de valor a longo prazo. Sob a nova liderança, a ACP pretende dar continuidade a esse percurso, com o desafio de atrair mais capital nacional e internacional e apoiar o crescimento das empresas angolanas.




