Luanda – O reforço de parcerias, a promoção da visão estratégica nacional e identificação de novas oportunidades de cooperação dominaram a agenda da delegação angolana na Cimeira Internacional sobre o Espaço, que decorreu a 09 e 10 do corrente mês, em Paris (França).
Luanda – O reforço de parcerias, a promoção da visão estratégica nacional e identificação de novas oportunidades de cooperação dominaram a agenda da delegação angolana na Cimeira Internacional sobre o Espaço, que decorreu a 09 e 10 do corrente mês, em Paris (França).
A delegação angolana ao evento foi chefiada pelo ministro das Telecomunicações, Tecnologias de Informação e Comunicação Social, Mário Oliveira, em representação do Presidente da República, João Lourenço.
Integraram a delegação, a embaixadora de Angola em França, Guilhermina Prata, o director-geral do Gabinete de Gestão do Programa Espacial Nacional, Zolana João, e quadros ligados ao sector espacial.
No primeiro dia, a delegação manteve reuniões de alto nível com a Airbus Defence and Space SAS France e com a Agência Espacial Africana (AFSA).
O encontro com a Airbus permitiu avaliar o estado global de execução do Projecto ANGEO-1 e abordar perspectivas de futuras colaborações, enquanto com a AFSA foram analisados o reforço da cooperação institucional, a participação de Angola no ASPEX, a ser realizado na Côte d’Ivoire, o reconhecimento dos progressos angolanos no sector e novas possibilidades de cooperação continental.
Segundo uma nota de imprensa enviada esta quinta-feira à ANGOP, as conversações com a AFSA permitiram ainda destacar o ANGOTIC como fórum de dimensão internacional, analisar uma eventual colaboração mais estreita com o Senegal e reafirmar a importância da soberania tecnológica, formação de quadros e da unidade africana no desenvolvimento do sector espacial.
Durante a Cimeira, Angola procedeu, igualmente, a assinatura da Declaração de Interesse para a Adesão à Aliança Space4Ocean, além de participar em sessões dedicadas à indústria e investigação espacial.
No certame, Angola apresentou a política e a visão estratégica para o espaço, fazendo um balanço preliminar das actividades realizadas, assim como destacou a intenção do país reforçar as suas capacidades, preservar a soberania nacional e avançar para uma maior auto-suficiência no sector.
A presença de Angola na Cimeira reafirma o compromisso do Executivo com a utilização das tecnologias espaciais como instrumentos de soberania, conhecimento, inovação e desenvolvimento sustentável.
Cooperação entre Angola e Portugal
A agenda da delegação angolana encerrou com um encontro entre as delegações de Angola e de Portugal, realizado nas instalações da Embaixada de Angola em França, com presença da secretária de Estado da Ciência e Inovação portuguesa, Helena Canhão, secretário de Estado adjunto e da Política de Defesa Nacional, Nuno Pinheiro Torres, e o presidente da Agência Espacial Portuguesa, Ricardo Conde.
Durante o encontro, foram passados em revista os projectos e as linhas de cooperação em curso entre os dois países. As partes defenderam também o alargamento das iniciativas de formação e capacitação de quadros, bem como o aprofundamento do diálogo sobre as dimensões desegurança e defesa associadas ao espaço.
As conversações decorreram no quadro doMemorando de Entendimento para a cooperação no uso pacífico do espaço, nas ciências, tecnologias e aplicações espaciais, assinado pelo GGPEN e pela Agência Espacial Portuguesaem 2023.
Na ocasião, a comitiva angolana informou sobre o processo de preparação da lei espacial nacional e a perspectiva de aprofundar a articulação técnico-jurídica com o Escritório das Nações Unidas para os Assuntos do Espaço Exterior (UNOOSA), um dossiê que deverá constituir uma das prioridades em 2027.
A UNOOSA disponibiliza, mediante solicitação dos Estados-Membros, aconselhamento especializado para o desenvolvimento e aperfeiçoamento de legislação, regulamentação e políticas espaciais nacionais.
Por seu turno, o presidente da Agência Espacial Portuguesa, Ricardo Conde, anunciou a intenção de preparar e submeter uma proposta para a criação de um “Space Hub” em Angola, tendo em conta os passos concretos dados pelo país nos últimos anos.
A eventual concretização dessa proposta poderá contribuir para o reforço estrutural da economia espacial e para a afirmação geopolítica de Angola.
Foi, igualmente, analisada a possibilidade de se preparar o projecto para eventual enquadramento no Global Gateway, estratégia da União Europeia que apoia investimentos sustentáveis em conectividade, infra-estruturas digitais, investigação, competências e inovação. Esta possibilidade dependerá da estruturação técnica da proposta, dos critérios de elegibilidade e da avaliação das entidades competentes.
No encontro, foi salientado que o sector espacial afirma-se como um ecossistema cada vez mais atractivo para startup, investigadores e jovens empreendedores, beneficiando de mecanismos de apoio directo e indirecto do Estado.
O aprofundamento da cooperação poderá criar novas oportunidades de formação, incubação, inovação e desenvolvimento de soluções tecnológicas orientadas para as necessidades de Angola. Esta aposta deverá valorizar os investimentos realizados pelo Estado angolano em projectos como o ANGOSAT-2, satélite de telecomunicações em operação, e o ANGEO-1, projecto de observação da terra em desenvolvimento com a Airbus.
Pretende-se também ampliar as aplicações e os serviços a jusante (downstream), transformando a conectividade e os dados espaciais em soluções para sectores como telecomunicações, agricultura, cartografia, ambiente, gestão dos recursos naturais, ordenamento do território, vigilância marítima e resposta a riscos.
O desenvolvimento dessas capacidades poderá gerar impacto directo na juventude angolana, através da formação especializada, criação de oportunidades para startup e pequenas e médias empresas e do surgimento de novos serviços associados à economia digital e espacial.
A participação de Angola na Cimeira permitiu consolidar relações institucionais, promover os avanços alcançados pelo Programa Espacial Nacional e projectar novas iniciativas de cooperação africana, europeia e multilateral. QCB




