Angola perdeu mais de 700 exportadores portugueses desde 2021

Angola registou uma perda significativa de parceiros comerciais em Portugal, com a saída de 713 empresas exportadoras portuguesas do mercado nacional desde o ano de 2021. Os dados, recentemente avançados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) de Portugal, revelam uma tendência de abrandamento nas trocas comerciais bilaterais e reflectem as actuais dinâmicas económicas que ambos os países enfrentam no contexto global e regional de transição financeira.
Os dados revelam uma forte concentração das transacções comerciais, onde um grupo restrito de empresas domina a quase totalidade das vendas. Apenas 200 empresas portuguesas foram responsáveis por facturar 72% do total das exportações para Angola em 2025. Deste grupo, 11 grandes operadores asseguraram 24,4% das vendas, enquanto outras 189 empresas garantiram 47,6%. Por outro lado, a esmagadora maioria dos exportadores (2.950 empresas, que representam 84% do total) realizou apenas 26,7% do valor global exportado. Adicionalmente, verifica-se uma elevada dependência do mercado nacional: cerca de 1.635 empresas exportam exclusivamente para Angola.
Em termos de valores financeiros, as exportações portuguesas de bens para Angola fixaram-se em 1.090,8 milhões de euros em 2025. Em contrapartida, as importações portuguesas provenientes de Angola registaram uma subida assinalável de 144,4% face a 2024, totalizando 233,6 milhões de euros, impulsionadas sobretudo pelo sector energético. O saldo comercial manteve-se favorável a Portugal em 857,2 milhões de euros. As máquinas e aparelhos lideraram as vendas lusas para solo angolano, somando 319,2 milhões de euros, seguidos pelos produtos químicos e bens alimentares. Nas importações portuguesas de origem angolana, os combustíveis minerais, com destaque para o petróleo bruto, representaram 83,1% do total.
Apesar da redução do número de operadores económicos, os dados preliminares dos primeiros quatro meses de 2026 indicam uma recuperação no valor das exportações portuguesas para Angola, que subiram 9% para 361,4 milhões de euros. No entanto, as importações portuguesas de Angola registaram uma queda acentuada de 83,2% no mesmo período, fixando-se em 13,9 milhões de euros, devido à ausência de registo de importação de combustíveis minerais entre janeiro e abril.



