O Governo angolano defende a necessidade de transformar os laços históricos entre os dois países, em relações comerciais e empresariais mais profundas, dinâmicas e geradoras de benefícios recíprocos. Ao intervir, ontem, em Luanda, na abertura do Fórum Económico Brasil-Angola, o ministro da Indústria e Comércio, Rui Miguêns, disse que os actuais níveis de relação de comércio e investimento entre os dois países ainda estão abaixo do potencial das duas economias.
O ministro considerou que Angola atravessa uma fase de alteração do seu paradigma económico, marcada pela necessidade de diversificar a economia e alcançar maior auto-suficiência alimentar, o que abre novas oportunidades para investidores brasileiros. “Quaisquer que sejam os números a que chegamos, não reflectem o grande potencial económico brasileiro e o grande potencial económico de Angola”, afirmou.
Rui Miguêns destacou particularmente o sector Agro-industrial, defendendo que Angola e Brasil devem encarar as relações comerciais numa lógica de complementaridade e não de concorrência.
APROVEITAR AS POTENCIALIDADES
Para o ministro, esta relação pode evoluir para um modelo em que empresas brasileiras passem também a produzir em Angola.
“Se os produtores brasileiros estiverem a produzir em Angola, dando emprego, pode ser uma forma de que esses investidores e produtores brasileiros mantenham a sua capacidade de estar no mercado internacional”, explicou.
A estratégia permitiria, na sua perspectiva, aproximar a capacidade produtiva e tecnológica brasileira das necessidades de diversificação económica de Angola, aumentando a produção local, criando emprego e reduzindo a dependência das importações.
TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA
Além do investimento directo, o ministro Rui Miguêns apontou a transferência de conhecimento científico e tecnológico como uma das áreas prioritárias da cooperação económica entre os dois países, reconhecendo não apenas a capacidade produtiva do Brasil, mas sobretudo a capacidade científica, técnica e de conhecimento, defendendo uma relação que contribua para aumentar a capacidade de Angola produzir ciência, tecnologia e conhecimento aplicado à Economia.
O governante apontou ainda oportunidades nos sectores Agrícola, Florestal e Energético, considerando que o Brasil possui conhecimento que pode contribuir para a exploração sustentável dos recursos existentes em Angola.
Rui Miguêns recordou igualmente a presença histórica de empresas brasileiras no processo de reconstrução e desenvolvimento da economia angolana e apelou à continuidade dessa participação no actual processo de diversificação económica.
O evento foi realizado no âmbito da 17ª Jornada do Brasil em Angola. &




