Cuvelai – Deputados à Assembleia Nacional afirmaram, este sábado, que a entrada em funcionamento das barragens hídricas do Ndúe e Calucuve vai contribuir para a dinamização da actividade agropecuária e para o empoderamento económico das famílias.
Cuvelai – Deputados à Assembleia Nacional afirmaram, este sábado, que a entrada em funcionamento das barragens hídricas do Ndúe e Calucuve vai contribuir para a dinamização da actividade agropecuária e para o empoderamento económico das famílias.
Em declarações à ANGOP, à margem do acto de inauguração dos projectos hídricos, presidido pelo Chefe de Estado, João Lourenço, os parlamentares consideraram que as barragens representam um importante ganho para o desenvolvimento da agricultura e da pecuária na região.
Para o deputado Vigílio Tyova, a disponibilidade de água nos canais associados às barragens permitirá às populações rurais, que vivem ao longo destes corredores, aumentar significativamente a produção agrícola.
Sublinhou que os empreendimentos construídos pelo Executivo angolano terão um impacto relevante na produção de alimentos, no desenvolvimento da agricultura irrigada e na criação de gado, tornando a região mais sustentável nas próximas duas décadas.
“Estamos certos de que, com o programa de transferências monetárias Kwenda, de que as famílias beneficiam, estas estarão mais potenciadas para o empoderamento económico, caso invistam os valores recebidos na actividade agrária”, enfatizou.
Vigílio Tyova recordou que, em 2019, quando exercia as funções de governador provincial do Cunene, a região registou a pior seca dos últimos 40 anos, uma situação que, segundo afirmou, sensibilizou o Presidente da República para a necessidade de iniciar e concluir projectos estruturantes destinados a combater os efeitos da seca.
O deputado Mbambi dos Santos realçou, por sua vez, a importância dos empreendimentos, que vão disponibilizar água para o consumo humano e dinamizar a prática da agricultura ao longo dos canais.
Defendeu, entretanto, que, para assegurar uma maior sustentabilidade dos investimentos, é igualmente necessário apostar na expansão da energia e na melhoria das vias de acesso, facilitando, no futuro, o escoamento dos produtos e a atracção de investidores.
Já o deputado Ireno Nambalo sublinhou que a iniciativa do Executivo é louvável e demonstra o cumprimento do compromisso assumido, há cerca de quatro anos, no sentido de encontrar soluções para minimizar os efeitos da seca no Cunene.
Segundo o parlamentar, as barragens do Ndúe e Calucuve vão reter água suficiente para abastecer as populações, que deverão aproveitar este recurso para dinamizar a agricultura em grande escala, tanto para o consumo como para a comercialização.
Por seu turno, a empresária Filomena Oliveira enalteceu a implementação dos projectos, considerando que poderão contribuir para a transformação da agricultura de subsistência numa actividade de maior escala, geradora de mais rendimentos e capaz de reforçar a sustentabilidade e a segurança alimentar no país.
A empresária reconheceu que a província reúne condições para se transformar num importante pólo económico, mas defendeu a necessidade de reforçar a formação e os conhecimentos em matérias agrárias nas escolas e comunidades, de modo a garantir maior envolvimento das populações na actividade e melhorar os níveis de produção e produtividade.
Projectos estruturantes
As barragens do Ndúe e Calucuve constituem dois dos cinco projectos estruturantes integrados no Programa de Combate aos Efeitos da Seca no Sul de Angola (PCESSA), em curso desde 2019, sob supervisão permanente e com especial atenção do Titular do Poder Executivo angolano.
A Barragem do Ndúe, localizada a 97 quilómetros da sede comunal de Mukolongodjo, no município do Cuvelai, e que abrange igualmente os municípios de Chissuata e Cafima, vai beneficiar, numa primeira fase, cerca de 55 mil habitantes e 60 mil cabeças de gado.
A infra-estrutura possui 32,80 metros de altura e 1.500 metros de comprimento, com capacidade para armazenar 170 milhões de metros cúbicos de água. Conta ainda com um canal adutor de 75 quilómetros e 15 chimpacas, destinados a diversos fins económicos e sociais, beneficiando as populações, a agricultura e a actividade pecuária ao longo do seu percurso.
O projecto deverá igualmente contribuir para a criação de empregos directos e indirectos, sobretudo para os jovens.
Já a Barragem de Calucuve, situada a 34 quilómetros da comuna de Mukolongodjo, também no município do Cuvelai, vai beneficiar mais de 80 mil habitantes e cerca de 200 mil cabeças de gado.
A infra-estrutura possui 31,60 metros de altura e 2.184 metros de comprimento, com capacidade para armazenar aproximadamente 141 milhões de metros cúbicos de água. Dispõe de um canal adutor de 240 quilómetros e 22 chimpacas.
A construção das barragens do Ndúe e Calucuve teve início a 28 de Outubro de 2021, com o lançamento da primeira pedra pela então ministra de Estado para a Área Social, Carolina Cerqueira.
A expectativa é que os dois projectos desempenhem um papel fundamental no combate à seca cíclica que afecta as populações da região Sul de Angola.
Paralelamente ao reforço da disponibilidade de água, prevê-se que as barragens contribuam para o desenvolvimento socioeconómico e para a dinamização da economia local, através da criação de oportunidades de emprego, mitigação de doenças associadas à escassez de água, entre outros benefícios.
Entre as principais finalidades dos projectos destacam-se a redução da escassez de água na bacia do Cuvelai, o reforço do abastecimento às populações e ao gado, a garantia da segurança alimentar, o fortalecimento da agricultura e o impulso às actividades turísticas, bem como a melhoria e recuperação de equipamentos públicos.
De forma geral, o Programa de Combate aos Efeitos da Seca no Sul de Angola visa reforçar o abastecimento de água às populações e promover o desenvolvimento da agricultura nas províncias do Cunene, Huíla, Namibe e Benguela. PEM/LHE/SC/CS




