O Banco Nacional de Angola (BNA) defende medidas para reduzir a desigualdade entre homens e mulheres no acesso aos serviços financeiros, sobretudo ao financiamento e ao crédito.
A posição foi manifestada pelo governador do BNA, Manuel Tiago Dias, durante a VIII sessão do Fórum Nacional sobre Microfinanças, onde destacou a necessidade de reforçar a inclusão financeira das mulheres e garantir que tenham acesso a produtos e serviços adequados às suas necessidades.
Segundo o governador, a taxa de inclusão financeira da população adulta situou-se em cerca de 54% em 2026. Entretanto, os dados de Junho mostram uma diferença significativa entre homens e mulheres no acesso ao sistema bancário: os homens representavam cerca de 62% da população bancarizada, enquanto as mulheres correspondiam a apenas 38%.
Para Manuel Tiago Dias, a expansão dos serviços financeiros deve ser acompanhada por medidas capazes de assegurar uma participação mais equilibrada das mulheres, tanto no acesso como na utilização efectiva dos produtos financeiros.
A assimetria é igualmente expressiva no acesso ao crédito. Até ao ano passado, as mulheres representavam apenas 24% dos créditos concedidos a particulares.
No segmento do microcrédito, a diferença é ainda maior. As mulheres beneficiaram de apenas 21% do crédito concedido a particulares pelas instituições de microcrédito, contra cerca de 79% destinado aos homens.
“Estes indicadores demonstram que ainda persistem limitações ao acesso de muitas mulheres ao financiamento de que necessitam”, afirmou o governador.
Tiago Dias defendeu, por isso, uma acção concertada para reduzir as diferenças, através da disponibilização de produtos de poupança, crédito, pagamentos e seguros adaptados às necessidades das mulheres.
O responsável do banco central considerou igualmente importante simplificar os processos de acesso aos serviços financeiros, reforçar a literacia financeira e digital e utilizar dados desagregados por género para acompanhar os resultados e corrigir insuficiências.
O governador alertou ainda para a necessidade de as instituições financeiras prestarem informação clara às beneficiárias e avaliarem a sua capacidade de pagamento, como forma de prevenir situações de sobreendividamento.
Apesar dos desafios, Manuel Tiago Dias destacou avanços registados no mercado nacional, com instituições financeiras a criarem produtos dirigidos especificamente às mulheres, incluindo linhas de crédito para projectos sustentáveis, financiamento para micro, pequenas e médias empresas geridas ou detidas maioritariamente por mulheres e mecanismos simplificados de acesso ao microcrédito.
O BNA destacou também planos de poupança e pacotes financeiros destinados a vendedeiras, incluindo as chamadas zungueiras, com medidas como a isenção de determinadas comissões e taxas de juro bonificadas.
Para o governador, estas iniciativas demonstram que é possível adaptar a oferta financeira às necessidades concretas das mulheres, tendo incentivado as instituições do sector a aprofundarem a diversificação dos seus produtos e serviços.
A preocupação com a inclusão financeira das mulheres insere-se no mandato do BNA de promoção da inclusão financeira e desenvolvimento do sistema financeiro angolano.




