Benguela - O governador provincial de Benguela, Manuel Nunes Júnior, considerou, sexta-feira, que a electrificação dos municípios do interior da província poderá contribuir significativamente para transformar o Corredor do Lobito numa plataforma de desenvolvimento económico e social.
Benguela - O governador provincial de Benguela, Manuel Nunes Júnior, considerou, sexta-feira, que a electrificação dos municípios do interior da província poderá contribuir significativamente para transformar o Corredor do Lobito numa plataforma de desenvolvimento económico e social.
O governante falava durante o acto de consignação do projecto da linha de transporte de electricidade a 220 kV Lomaúm-Huambo e das respectivas subestações, ocasião em que destacou a importância da energia eléctrica para a atracção de investimentos, criação de empregos e expansão das actividades produtivas ao longo do corredor.
“Queremos que o Corredor do Lobito se transforme não só numa linha férrea, que já temos através do Caminho de Ferro de Benguela, mas, sobretudo, num corredor que leve ao desenvolvimento com a criação de novos empregos”, afirmou.
Segundo Manuel Nunes Júnior, o aumento da disponibilidade de energia será determinante para a instalação e expansão de empresas, unidades de transformação e outros projectos produtivos.
De igual modo, perspectiva que a electrificação deverá igualmente contribuir para o crescimento da agricultura, pecuária e pequenas indústrias, permitindo a transformação local das matérias-primas produzidas no interior da província.
Para o governador, o projecto representa, em particular, um marco para o município da Ganda, que deverá passar a beneficiar de energia estável da rede nacional através da ligação Lomaúm-Ganda, integrada no sistema de transporte entre Lomaúm e Belém, no Huambo.
De acordo com Manuel Nunes Júnior, a nova infra-estrutura permitirá reduzir a dependência dos geradores e garantir um fornecimento de energia mais regular à população e à actividade económica.
Citando informações de especialistas envolvidos no projecto, sob coordenação e gestão da Rede Nacional de Transporte de Electricidade (RNT), Manuel Nunes Júnior aponta ainda o primeiro semestre do próximo ano como horizonte temporal para efectivação da ligação da Ganda à rede nacional.
O governador destacou também o projecto de electrificação do Cubal, que deverá permitir a ligação do município à rede nacional antes da conclusão prevista para a Ganda. Com isso, os dois municípios mais populosos do interior de Benguela deverão passar, proximamente, a beneficiar de energia da rede nacional.
Além de melhorar o abastecimento às famílias, a expansão da rede eléctrica deverá, no entendimento do governador, reforçar o funcionamento dos serviços públicos, nomeadamente escolas, e criar melhores condições para o desenvolvimento das empresas e das actividades produtivas.
Manuel Nunes Júnior garantiu ainda que os restantes municípios do interior de Benguela serão abrangidos pelo processo de electrificação, indicando que o financiamento dos projectos está “praticamente assegurado”.
O objectivo, segundo o governador, é alcançar uma Benguela totalmente electrificada, com maior capacidade para aumentar a produção, criar empregos, diversificar a economia e estimular a inovação.
A expansão da rede eléctrica surge, assim, como uma componente estratégica para garantir que os benefícios económicos associados ao Corredor do Lobito se estendam para além da ferrovia e das operações portuárias, envolvendo directamente os municípios do interior na produção, transformação e comercialização de bens e serviços.
Sobre o projecto
A construção e montagem da linha de transporte de energia de 220 quilovolts (kV) Lomaúm-Huambo, cujas obras arrancaram sexta-feira, prevê beneficiar directamente mais de 40 mil famílias do município da Ganda.
O projecto, promovido pelo Ministério da Energia e Águas (MINEA), através da Rede Nacional de Electricidade (RNT-E.P.), está orçado em mais de 89 milhões de euros, financiados pelo banco Crédit Agricole CIB, no âmbito da cooperação económica entre Angola e o Reino Unido.
A empreitada, com foco na interligação eléctrica entre as províncias de Benguela e do Huambo, prevê um prazo de execução de 24 meses e foi consignada à empresa Elecnor, com fiscalização da Dar Africonsult, devendo criar cerca de 800 postos de trabalho directos durante a fase de construção. JH/CRB




