A necessidade de mobilizar capitais nacionais para financiar o crescimento industrial de Angola, utilizando instrumentos do mercado financeiro local para reduzir a dependência de recursos externos e criar oportunidades de investimento para os cidadãos, foi defendida ontem pelo fundador do Fin Summit, Euclides Francisco.
Ao abordar os objectivos da conferência, o consultor de investimentos e gestão patrimonial explicou que o Fin Summit funciona como uma plataforma de promoção comercial e financeira.
A iniciativa foi desenhada para dar visibilidade às empresas angolanas nos mercados nacional e internacional, além de incentivar a população a desenvolver hábitos de poupança e investimento.
Nesta 4.ª edição, a organização promove várias acções destinadas a valorizar a produção interna e a estimular o turismo.
Neste último sector, o fórum desenvolve, em parceria com o Ministério do Turismo, o “Desafio Investe Turismo”, que atraiu mais de 109 candidaturas.
“Cinco finalistas vão disputar um prémio monetário, formação para a formalização e melhoria dos seus negócios, além de acompanhamento no acesso a linhas de crédito de até 200 milhões de kwanzas”, revelou.
Com o foco central na industrialização do país, Euclides Francisco considerou que um dos principais desafios actuais é a criação de mecanismos que permitam financiar o crescimento económico com recursos próprios.
Para o especialista, a Bolsa de Dívida e Valores de Angola (BODIVA) pode desempenhar um papel crucial na mobilização de poupanças internas, oferecendo instrumentos financeiros que permitam aos cidadãos investir directamente em empresas nacionais e obter retornos baseados no desempenho real desses negócios.
A conferência, concluiu Euclides Francisco, procura consolidar uma visão estratégica de desenvolvimento sustentável a longo prazo, profundamente assente na valorização das capacidades internas e na criação contínua de oportunidades reais para o empresariado local.
O consultor enfatizou que o certame funciona como um catalisador para mudar o paradigma económico actual, defendendo vigorosamente a transição para um modelo menos dependente de flutuações externas. Para o especialista, o futuro do progresso industrial e social do país depende da nossa habilidade de gerar riqueza a partir de dentro, estabelecendo as bases de uma economia soberana, sólida e autossuficiente, isto é, uma economia genuinamente construída, gerida e financiada pelos próprios angolanos.




