O presidente da BRIMONT Angola defendeu que o impacto efectivo da participação das empresas angolanas no sector petrolífero continua abaixo do que Angola pode alcançar, considerando necessário criar condições para estas poderem competir.
Francisco Monteiro, que fazia o balanço da sétima edição da Conferência e Exposição Angola Oil & Gas (AOG) 2026, realizada na semana passada, em Luanda, afirmou que existem hoje mais empresas angolanas qualificadas, certificadas e tecnicamente preparadas para participar na indústria petrolífera, mas o impacto efectivo ainda é baixo.
Segundo este executivo da BRIMONT, empresa angolana com actividade industrial e prestação de serviços especializados ao sector petrolífero, “a questão já não é apenas saber quantas empresas angolanas participam na indústria petrolífera, mas, sim, quanto valor económico, conhecimento, capacidade técnica e produção ficam efectivamente em Angola”.
“Estamos claramente melhor do que há alguns anos, mas continua a existir uma distância importante entre a ambição e a realidade”, afirmou, salientando as mudanças significativas ocorridas internacionalmente no sector e as transformações estruturais registadas em Angola.
O empresário defendeu a combinação de capital, tecnologia, competências, certificação e oportunidades, associada a um “contrato de responsabilidade mútua”, para a afirmação das empresas nacionais no petróleo e gás.
“Cada empresa angolana tem a obrigação de investir, profissionalizar-se e cumprir requisitos de qualidade, segurança e desempenho”, afirmou, acrescentando que operadores e o Estado devem igualmente “criar oportunidades reais e previsíveis para que essa capacidade seja utilizada”.
“Conteúdo local não pode significar, baixar o padrão. Tem de significar, criar capacidade nacional para atingir o padrão”, sublinhou.
A BRIMONT, distinguida este ano como melhor empresa de conteúdo local, participou no AOG 2026 onde financiamento, conteúdo local, gás e refinação estiveram entre os temas em discussão.
Francisco Monteiro defendeu parcerias tecnológicas equilibradas, transferência efectiva de conhecimento, acesso ao financiamento e preferência pela capacidade nacional como eixos para estimular o conteúdo local.
O responsável considerou, contudo, que o conteúdo local não deve proteger as empresas nacionais da concorrência, mas “criar condições para elas adquirirem capacidade de competir”.
“O sucesso do conteúdo local será alcançado quando uma empresa angolana deixar de precisar de preferência, porque adquiriu escala, conhecimento e competitividade para disputar contratos em Angola e, idealmente, noutros mercados”, afirmou.
Na vertente industrial, a BRIMONT produz, entre outros produtos, hipoclorito de sódio, utilizado na indústria petrolífera, tratamento de águas e outros sectores da economia, e o seu dirigente defendeu que o próximo capítulo do conteúdo local em Angola “não pode ser apenas ter mais empresas angolanas na cadeia de fornecimento”.
“Tem de significar mais conhecimento angolano, mais produção angolana, mais tecnologia em Angola e empresas angolanas proprietárias de parcelas cada vez maiores da cadeia de valor”, concluiu.
A empresa, com certificações internacionais e presença em Luanda, Soyo, Cabinda e Lobito, produz localmente químicos e equipamentos de protecção individual.




