A indústria nacional beneficiou, de Abril a Junho, de financiamento de 70,17 mil milhões de kwanzas, mais ou menos 70 milhões de dólares.
O valor foi destinado para os diferentes subsectores a favor de projectos em curso em 19 províncias do país, com a Indústria Transformadora a receber 73,4 por cento dos desembolsos efectivados.
Estes dados foram cedidos em exclusivo ao Jornal de Angola pelo director Nacional de Economia e Fomento Empresarial do Ministério da Indústria e Comércio.
Allan Varela fez saber que a estrutura produtiva, neste momento, está fortemente concentrada na transformação de produtos alimentares e agro-industriais.
O dirigente considerou coerente a opção, atendendo a estratégia de segurança alimentar, substituição de importações e valorização das cadeias de produção nacionais em curso.
Milho e arroz entre os mais acompanhados
Segundo o director Nacional de Economia e Fomento Empresarial, referindo-se ao Programa de Apoio à Produção, Diversificação das Exportações e Substituição das Importações (PRODESI), no II trimestre, os principais produtos acompanhados constam a farinha de milho, arroz descascado e embalado, leite pasteurizado, pão, bolachas e biscoitos e açúcar.
Também a farinha de trigo, transformados de carne, massas alimentícias, rações para animais, óleo alimentar e ovos classificados, além de bebidas como água de mesa, cerveja, refrigerantes, sumos e vinho.
Em termos territoriais, o relatório mostra que a actividade apoiada pelos instrumentos de financiamento está presente em grande parte do território nacional, tendo-se referido que a concentração da actividade e dos apoios estão em Luanda, Benguela, Huíla, Bié, Icolo e Bengo, Huambo, Moxico e Cuanza-Sul.
Ainda assim, segundo o director Allan Varela, a Indústria Transformadora está a ganhar uma presença territorial progressiva e mais ampla, mesmo com a forte concentração dos investimentos e da actividade empresarial nos principais pólos económicos do país.
O director Nacional da Economia e Fomento Empresarial afirmou que os factores contributivos para o crescimento da in- dústria tem haver com o aumento da capacidade produtiva instalada e da sua utilização.
Neste sentido, Allan Varela entende que já não se trata apenas de construir novas fábricas. O aumento da utilização da capacidade instalada de 48 para 54 por cento demonstra que unidades já existentes estão a produzir mais, além do surgimento de novas indústrias, razão pela qual o relatório associa, directamente, o crescimento da agro-indústria ao aparecimento de novas unidades e reforço da capacidade efectiva de produção.
“O próprio balanço identifica a implementação do Decreto Presidencial n.º 213/23 como um dos factores que têm contribuído para estimular a produção interna, assim como o desenvolvimento das cadeias de valor nacionais”, salientou.
Sector com valor acrescentado progressivo
De acordo com Allan Varela, a indústria está, progressivamente, a transformar as matérias-primas e os produtos nacionais em bens com maior valor acrescentado.
Por isso, disse, é importante, neste ponto, não se olhar para todas as importações como concorrentes directas da produção nacional, pois uma parte significativa de produtos como trigo-grão, arroz e óleo vegetal entra como matéria-prima ou insumo para processos de transformação realizados em Angola.
O que interessa, portanto, é observar o efeito líquido sobre a capacidade de transformação nacional e sobre o valor acrescentado gerado internamente.
A capacitação, no segundo trimestre, permitiu abranger 815 agentes económicos por acções de formação. Este número permitiu um acumulado do programa de 11.579 participantes, com iniciativas de empreendedorismo, literacia financeira, gestão e aperfeiçoamento de competências.




