Menongue – O administrador para área Comercial do Porto do Namibe, Domingos Delfim Francisco, afirmou, este sábado, em Menongue (Cubango), que os investimentos na unidade portuária têm reforçado a consolidação do Corredor Sul e a dinamização das trocas comerciais.
Menongue – O administrador para área Comercial do Porto do Namibe, Domingos Delfim Francisco, afirmou, este sábado, em Menongue (Cubango), que os investimentos na unidade portuária têm reforçado a consolidação do Corredor Sul e a dinamização das trocas comerciais.
O Porto do Namibe investiu 600 milhões de dólares e movimentou aproximadamente 1,2 milhões de toneladas de minério de ferro, mármore e granito, em 2025.
Em declarações à ANGOP, no final do Fórum de Investimentos da primeira edição da Expo Cubango 2026, o responsável disse que a hinterland do Porto do Namibe, que compreende as províncias do Cubango, Cuando, Cunene e Huíla, constitui um território estratégico para o desenvolvimento do Corredor Sul.
Segundo Domingos Delfim Francisco, a presença do Porto do Namibe na Expo Cubango constitui uma oportunidade para apresentar as suas valências e aproximar a infra-estrutura dos operadores económicos, investidores e demais parceiros interessados no aproveitamento das potencialidades da região.
Considerou que, apesar de ser a primeira edição da Expo Cubango, o evento já constitui um sucesso, ao olhar para o nível de organização, disciplina e participação de empresas nacionais e de convidados internacionais, com destaque para a Namíbia, Zâmbia e República Democrática do Congo (RDC).
Corredor Sul com potencial de crescimento
O administrador defendeu que o aproveitamento dessas potencialidades do Corredor Sul exige a consolidação de um sistema logístico eficiente, assente na articulação entre as vias rodoviária e ferroviária e as operações portuárias, apesar de reconhecer que ainda existem constrangimentos na componente terrestre.
“Sabemos que temos ainda algum problema na modalidade terrestre, propriamente na via ferroviária e rodoviária”, afirmou, salientando os esforços em curso para corrigir as insuficiências e melhorar progressivamente as condições de circulação das mercadorias.
De acordo com o responsável, a situação do transporte de cargas registou melhorias significativas ao proporcionar maior tranquilidade e segurança aos operadores, o que começa igualmente a reflectir-se no desempenho do Porto do Namibe.
Domingos Delfim Francisco sublinhou que os cerca de 600 milhões de dólares investidos no Porto do Namibe permitiram dotar a infra-estrutura de melhores condições e tornar mais moderna, ampliada e preparada para corresponder às exigências do comércio nacional e regional.
Acrescentou que a aposta não se limitou à construção e modernização das infra-estruturas e à aquisição de equipamentos.
Defendeu, para o efeito, a formação contínua dos trabalhadores, com vista a elevar as capacidades de operações portuárias de forma mais rápida, segura e eficiente.
Porto do Namibe pretende ampliar ligações regionais
O administrador informou que o facto de ter movimentado, em 2025, minério de ferro, mármore e granito, prevê-se uma evolução gradual das operações à medida que forem reforçadas as condições logísticas e aumentarem as cargas destinadas à exportação.
Para o responsável, o desenvolvimento do corredor terá ainda um efeito multiplicador sobre outros sectores da economia e vai contribuir para o surgimento e crescimento de pequenos negócios ligados à agricultura, turismo, hotelaria, restauração e prestação de serviços.
“Esses grandes projectos trazem pequenos que agregam valor ao grande projecto”, explicou e ressaltou que a movimentação de pessoas e bens ao longo do Corredor do Namibe criará novas oportunidades para empreendedores e prestadores de serviços.
Sobre a dimensão internacional do corredor, Domingos Delfim Francisco revelou existir interesse da Zâmbia e do Botswana, enquanto a Namíbia tem mantido uma presença activa nos eventos económicos realizados na região.
Explicou que a intenção é consolidar primeiro o corredor no hinterland nacional e, posteriormente, reforçar a ligação com os países vizinhos, para que os Estados sem acesso directo ao mar possam utilizar as infra-estruturas angolanas para a movimentação das suas cargas.
“Sentimos que a conexão é irreversível, a médio ou a longo prazo, não tardando para atingir-se uma velocidade que não tem como parar”, afirmou.
O responsável considerou, por último, que a existência de um Porto constitui um factor estruturante para o desenvolvimento económico das regiões, por facilitar a importação e exportação de bens, promover a circulação de mercadorias e aproximar os produtores dos mercados nacionais e internacionais.
“Um porto só traz desenvolvimento à região”, concluiu, defendendo a continuidade dos investimentos e da cooperação entre os diferentes actores para a consolidação do Corredor Sul como plataforma de integração económica regional.
Construído em 1954, o Porto do Namibe é o terceiro maior de Angola, cujo o objectivo prende-se com a prestação de serviços de carga e descarga de mercadorias, conta com um terminal de cais de costa de 875 metros e uma área de armazenamento de 37 mil 200 metros quadrados.
Relativamente ao sector mineiro, a unidade portuária possui um cais construído em 1967, e abarca uma área de 525 metros divididos em duas secções, bem como um armazenamento de 70 metros quadrados com uma capacidade de 1,5 toneladas. LC/SC




