A britânica Pensana Plc anunciou que o seu principal accionista, o fundo Cascade, deverá realizar nos próximos 14 dias uma entrada significativa de capital na subsidiária angolana Ozango Minerais, S.A., titular do projecto mineiro do Longonjo, no Huambo.
O aumento de capital da Ozango está estimado entre 75 e 90 milhões de dólares norte-americanos. Segundo o comunicado divulgado pela empresa, as conversações envolvem o Cascade e outros accionistas de referência.
O Cascade investiu, até à data, 15 milhões de dólares, de um compromisso global de 165 milhões. A administração reconhece que o processo de financiamento abrandou o ritmo da obra, mas mantém o calendário de arranque para o início de 2028.
A Pensana controla a Ozango com cerca de 68,4% do capital, através da subsidiária Sable Min Unipessoal, Lda. A participação era de 84% e baixou depois de o Fundo Soberano de Angola (FSDEA) ter concluído, em Fevereiro, uma entrada de 25 milhões de dólares directamente na Ozango.
Na casa-mãe, cotada na Bolsa de Londres, os dois maiores accionistas são o FSDEA, com cerca de um quarto do capital, e a gestora britânica M&G Investments. O Cascade, fundo liderado pelo antigo presidente do JP Morgan para África, Lloyd Pengilly, detém 3,8% da Pensana.
O acordo prevê ainda que o fundo aplique 150 milhões de dólares na Sable Min, em troca de 38,2% desta sociedade.
Situada a cerca de 60 quilómetros a oeste da cidade do Huambo, a mina do Longonjo é apresentada pela empresa como uma das maiores jazidas de terras raras ainda por explorar a nível mundial. O projecto dispõe de todas as licenças, tem a engenharia concluída e a construção executada em 30%, com mais de 60% das aquisições já contratadas.
Segundo a empresa, o Longonjo é uma das cinco minas de terras raras classificadas como «altamente prováveis» pela consultora Benchmark Minerals Intelligence.
A energia será fornecida pela barragem de Laúca, ao abrigo de um contrato de compra já assinado. O concentrado seguirá em contentores pelo Caminho-de-Ferro de Benguela, ao longo de 273 quilómetros, até ao Porto do Lobito, de onde será exportado.
Numa primeira fase, a unidade produzirá 20 mil toneladas anuais de carbonato misto de terras raras (MREC), contendo 2.400 toneladas de NdPr e 73 toneladas de DyTb. No quarto ano, a produção deverá duplicar para 40 mil toneladas.
A empresa estima que, nesse volume, o projecto ficará entre os maiores produtores de terras raras pesadas fora da China.
O investimento inicial está orçado em 250 milhões de dólares. A empresa projecta uma margem EBITDA de 80%, um valor actual líquido de 2,3 mil milhões de dólares e a recuperação do investimento em menos de dois anos, aos preços actuais.
O calendário prevê a assinatura dos contratos de venda e a aprovação da dívida até Fevereiro de 2027, o arranque em Janeiro de 2028 e a plena produção em Setembro desse ano. A Pensana afirma ter negociações adiantadas com compradores japoneses, que deverão absorver a maior parte da produção inicial, e com o ABSA e o EXIM para os empréstimos.
De acordo com a empresa, os clientes norte-americanos estão sobretudo interessados na segunda fase.
A Pensana indica ter investido mais de 90 milhões de dólares em cerca de nove anos. A média mundial é superior a 16 anos, segundo a S&P Global Market Intelligence.
A empresa refere ainda que, fora da China, o disprósio é transaccionado a várias vezes o preço praticado no mercado chinês.
O projecto integra-se no Corredor do Lobito, que tem o apoio do Governo norte-americano. A Pensana pretende criar, com parceiros japoneses e norte-americanos, uma cadeia de abastecimento integrada, da mina ao fabrico de ímanes.
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