Luanda – O ministro da Energia e Águas, João Baptista Borges, considerou, esta sexta-feira, em Luanda, que a gestão partilhada dos recursos hídricos e a cooperação transfronteiriça entre Angola e Namíbia constituem um dos modelos exemplares de estabilidade e segurança para a região da SADC.
Abordado sobre a preparação da Bienal de Luanda 2026, a decorrer nos dias 22 e 23 do corrente mês, sob o lema "Reforço da Governação da Água em África como Instrumento de Prevenção, Mediação e Resolução de Conflitos", adiantou que a água representa um factor crucial para a segurança hídrica e estabilidade política e social de ambos os países.
João Baptista Borges falava à imprensa, à margem da reunião bilateral com o ministro da Indústria, Minas e Energia da Namíbia, Modestus Amutse, realizada esta sexta-feira, em Luanda, que tratou da definição dos mecanismos para o início da construção do Aproveitamento Hidro-eléctrico Binacional de Baynes, na província do Cunene.
Relativamente ao projecto, frisou que o rio Cunene é uma bacia partilhada e regida por acordos bilaterais, cujas comissões técnicas se reúnem periodicamente para acompanhar a gestão e resolver eventuais diferendos.
Citou, a título de exemplo da cooperação existente, o aproveitamento hidroeléctrico de Ruacaná, que fornece energia eléctrica à Namíbia e beneficia, igualmente, povoações fronteiriças angolanas nas províncias do Cunene e do Cuando.
Destacou a barragem de Calueque, infra-estrutura angolana que assegura o bombeamento de água para a localidade de Oshakati, no Norte da Namíbia, com base em acordos históricos validados e mantidos por ambos os Governos.
Como perspectiva, anunciou que está em projecção a extensão do Canal do Cafu para o território namibiano, iniciativa que permitirá levar água do referido sistema para abastecer as populações do Norte da Namíbia.
“A Namíbia dispõe de menos recursos hídricos do que Angola, e depende significativamente do rio Cunene. Por essa razão, tudo o que realizarmos nessa bacia hidrográfica contribuirá para reforçar a estabilidade tradicional e o desenvolvimento regional”, sublinhou.
Importa destacar que a temática da água estará no centro da programação da edição 2026 da Bienal de Luanda - Fórum Pan-Africano para a Cultura da Paz e Não-Violência, organizada pelo Governo de Angola, em parceria com a União Africana e a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO).
O evento deverá reunir cerca de 500 participantes, incluindo Chefes de Estado e de Governo, diplomatas e jovens líderes africanos.
A Bienal visa promover um diálogo inter-geracional abrangente sobre os desafios hídricos do continente e consolidar a percepção da água como um recurso estratégico para a cooperação e a paz, através de quatro painéis de reflexão que abordarão as dimensões política, social, ambiental, científica e económica do tema.




