Cuvelai – Os moradores das comunidades do município do Cuvelai, na província do Cunene, reafirmaram, este sábado, o compromisso de dinamizar e diversificar a produção agrícola em grande escala, com vista ao combate à fome e à pobreza na região.
Cuvelai – Os moradores das comunidades do município do Cuvelai, na província do Cunene, reafirmaram, este sábado, o compromisso de dinamizar e diversificar a produção agrícola em grande escala, com vista ao combate à fome e à pobreza na região.
Em declarações à ANGOP, à margem do acto de inauguração dos projectos hídricos, presidido pelo Presidente da República, João Lourenço, manifestaram satisfação pela construção das barragens do Ndúe e Calucuve, considerando que as novas infra-estruturas criam condições para o aumento da produção agrícola.
Para Lopes Segunda, a disponibilidade de água nas barragens e nos respectivos canais permitirá às comunidades criar hortas e produzir durante todo o ano, contribuindo para o combate à fome e à pobreza.
“Gostamos deste investimento realizado pelo Governo, porque antes produzíamos apenas durante a época chuvosa. Agora, vamos poder produzir durante todo o ano e teremos mais produtos agrícolas para consumir e vender”, afirmou.
Nantenya Miguel agradeceu a construção das barragens, considerando que os empreendimentos poderão impulsionar o desenvolvimento económico e social da região, que, segundo disse, possui um grande potencial em termos de solos aráveis para a prática da agricultura.
Já Joaquim Kamate destacou que, para além dos benefícios para a agricultura, as barragens vão melhorar o abastecimento de água para o gado, que há várias décadas enfrenta dificuldades devido à escassez deste recurso.
Segundo o morador, a disponibilidade de água permitirá reduzir as longas distâncias que os criadores eram obrigados a percorrer à procura de locais para abeberar os seus animais.
Por sua vez, Maria Katumbo partilhou da mesma opinião quanto à criação de hortas para reforçar a sustentabilidade das famílias. Destacou igualmente os benefícios que a disponibilidade de água poderá trazer para as crianças, muitas das quais eram obrigadas a abandonar temporariamente a escola para acompanhar o gado em busca de água e pastagem.
Potencial das barragens
As barragens do Ndúe e de Calucuve constituem dois dos cinco projectos estruturantes integrados no Programa de Combate aos Efeitos da Seca no Sul de Angola (PCESSA), em execução desde 2019, sob supervisão do Executivo angolano.
Localizada a 97 quilómetros da sede comunal de Mukolongodjo, no município do Cuvelai, a Barragem do Ndúe abrange igualmente os municípios de Chissuata e Cafima e deverá beneficiar, numa primeira fase, cerca de 55 mil habitantes e 60 mil cabeças de gado.
A infra-estrutura possui 32,80 metros de altura e 1.500 metros de comprimento, com capacidade para armazenar 170 milhões de metros cúbicos de água. Dispõe ainda de um canal adutor com 75 quilómetros de extensão e 15 chimpacas.
O sistema foi concebido para servir diversos fins económicos e sociais, beneficiando as populações, a agricultura e a actividade pecuária ao longo do canal, além de criar empregos directos e indirectos, sobretudo para os jovens.
Por sua vez, a Barragem de Calucuve, situada a 34 quilómetros da comuna de Mukolongodjo, no município do Cuvelai, deverá beneficiar mais de 80 mil habitantes e cerca de 200 mil cabeças de gado.
Com 31,60 metros de altura e 2.184 metros de comprimento, a infra-estrutura tem capacidade para armazenar aproximadamente 141 milhões de metros cúbicos de água e dispõe de um canal adutor de 240 quilómetros, com 22 chimpacas.
As obras de construção das barragens do Ndúe e de Calucuve tiveram início a 28 de Outubro de 2021, com o lançamento da primeira pedra pela então ministra de Estado para a Área Social, Carolina Cerqueira.
Os dois projectos estão vocacionados, entre outras finalidades, para reduzir a escassez de água na bacia do Cuvelai, reforçar o abastecimento às populações e ao gado, garantir a segurança alimentar e fortalecer a actividade agrícola.
As infra-estruturas deverão igualmente contribuir para dinamizar a economia local, através da criação de oportunidades de emprego, da mitigação de doenças associadas à escassez de água e da promoção de actividades turísticas, além de favorecer a reabilitação e a melhoria de equipamentos públicos.
A expectativa é que as barragens desempenhem um papel fundamental no combate à seca que afecta ciclicamente as populações da região Sul de Angola, ao mesmo tempo que criam condições para um desenvolvimento socioeconómico mais sustentável.
De forma geral, o PCESSA visa reforçar o abastecimento de água às populações e apoiar o desenvolvimento da agricultura nas províncias do Cunene, Huíla, Namibe e Benguela. PEM/LHE/CS




