Ondjiva – Produtores e criadores de gado apontam a entrada em funcionamento das barragens do Ndúe e Calucuve (Cuvelai), na província do Cunene, como pilares da prática da agricultura e produção sustentável da carne em grande escala.
Ondjiva – Produtores e criadores de gado apontam a entrada em funcionamento das barragens do Ndúe e Calucuve (Cuvelai), na província do Cunene, como pilares da prática da agricultura e produção sustentável da carne em grande escala.
Em declarações à ANGOP, a propósito da inauguração desses empreendimentos hídricos, feita sábado (5) pelo Presidente da República, João Lourenço, os beneficiários afirmaram que a disponibilidade de água no Cuvelai vai permitir produzir diversos produtos, para garantir a sustentabilidade familiar e comercializar o excedente.
Para o produtor agropecuário Cipriano Siwila, com os projectos estruturantes, haverá maior disponibilidade de água para o fomento da agricultura em toda época do ano e garantir pasto para os animais.
Referiu que, anteriormente, os níveis de colheita eram muitos reduzidos, devido à irregularidade da chuva, facto que dificultava e limitava as famílias em ter reserva alimentar por 10 meses.
Em relação à criação de gado, fez saber que, anualmente, entre Agosto e Dezembro, os criadores são obrigados a movimentar as manadas para zonas com condições mínimas de pasto.
Disse que, normalmente, percorre-se mais de 200 quilómetros para ter acesso a água, passando pelo rio do Evale, na localidade de Kalyongo, Km 27 até Meya Mayela, onde nasce a barragem do Calucuve.
Para o produtor Haimbodi Hifikwa, o canal associado à barragem de Calucuve, passa a 300 metros da sua lavra, o que constitui uma grande oportunidade para aproveitar a água para o consumo, abeberamento do gado e prática da agricultura de irrigação.
“Estamos felizes pela iniciativa do Executivo angolano, que orientou a construção dessas infra-estruturas hídricas e minimizar o sofrimento da seca”, realçou.
Acrescentou que a falta de água era um problema para as comunidades, sobretudo em anos com fraca queda pluviométrica, que obrigava os criadores a deslocar-se mais cedo para as áreas de transumância, em Camicula e Cubate (margem do rio Cuvango).
Haimbodi Hifikwa sublinha que para a sobrevivência do rebanho era necessário fazer de forma antecipada uma planificação de deslocamento sazonal, para que os animais não ficassem debilitados.
Já Juliana Kaunalenga realça que, com a disponibilidade de água e terras aráveis, haverá aumento da produção de massango, massambala e milho, bem como a introdução de novas culturas.
Sublinhou que os recursos hídricos vão assegurar a economia das famílias, tornando mais sustentável em termos de segurança alimentar.
Disse que a entrada em funcionamento de barragens representa um testemunho histórico e significado especial que coloca o fim da seca severa vivida durante longos anos.
Por seu turno, Quinito Kanhameni destacou que as barragens do Ndúe e Calucuve vão trazer múltiplos benefícios, sobretudo na redução da transumância, onde muitas vezes as crianças eram obrigadas a abandonar os estudos.
Afirmou que a abundância de água e capim vai impulsionar a agropecuária, com realce na nutrição animal e facilitar a produção de carne de qualidade.
Por outro lado, o engenheiro agrónomo Emanuel Hilifavali disse que o Ndúe e o Calucuve representam uma transformação da matriz agrícola regional, alterando o regime de produção de subsistência para agricultura irrigada contínua.
Informou que as barragens vão garantir o fornecimento hídrico regular em fase mais crítica de estabelecimento das culturas, eliminando o risco de perda total de sementeiras.
Indicou que a transição hídrica reverterá a dependência exclusiva do cultivo do massango e da massambala para produtos hortícolasbconsiderados de maior valor comercial.
Emanuel Hilifavali realçou que os canais abrem portas para modernização técnica, permitindo aos agricultores aplicar nutrientes directamente da rega.
Localizadas na comuna do Mukolongondjo (Cuvelai), a cerca de 160 quilômetros da capital do Cunene (Ondjiva), as barragens do Ndúe e Calucuve são dois dos cinco projectos estruturantes de combate à seca nesta província.
De forma separada, o Ndúe (instalado no rio Caundo), que passa pelos municípios do Cuvelai, Chissuata e Cafima, vai beneficiar cerca de 55 mil habitantes, 60 mil cabeças de gado, numa primeira fase, além de permitir a criação de empregos directos e indirectos, na sua maioria jovens.
A infra-estrutura contempla também uma barragem de 32,80 metros de altura e 1 500 metros de comprimento, com possibilidade de armazenar um volume de 170 milhões de metros cúbicos de água, com um canal adutor associado de 75 quilómetros, com 15 chimpacas, para diversos fins de cariz económico e social, beneficiando a população, a agricultura e o gado ao longo do canal.
Já Calucuve, também situada no município com o mesmo nome (comuna do Mukolongondjo), vai beneficiar perto de 200 mil cabeças de gado e mais de 80 mil habitantes da região.
A barragem possui 31,60 metros de altura e 2 184 metros de comprimento, com capacidade para armazenar cerca de 141 milhões de metros cúbicos de água. Conta com um canal adutor de 240 quilómetros e 22 chimpacas. PEM/FI/LHE/QCB




