A aposta em melhorar o gado autóctone em posse das famílias das zonas mais recônditas das províncias da Huíla, Namibe e Cunene já permitiu atingir a um efectivo bovino e caprino estimado em 3,3 milhões de animais, dos quais cerca de 30.000 são considerados melhorados em posse dos fazendeiros.
Os dados foram avançados pelo presidente da Associação de Criadores de Gado do Sul de Angola (ACGSA), Carlos Damião, que contabiliza 75 associados filiados que exploram cerca de 400.000 hectares de terra, e juntos formam um efectivo que ronda os 250.000 cabeças de gado bovino.
Para Carlos Damião, o efectivo existente da Huíla, Namibe e Cunene tem contribuído para o aumento da capacidade de abate de animais, bem como a produção de carne local, destinados ao abastecimento do mercado nacional e posterior exportação.
“Apostar na melhoria genética, associada ao reforço da sanidade animal e das técnicas de engorda e reprodução, são fundamentais para elevar a produtividade e aumentar a capacidade de resposta dos criadores às necessidades do mercado”, explicou.
Segundo ele, embora a actual fase do processo de melhoramento tenha cerca de oito anos, os criadores recordam que a aposta na melhoria do gado autóctone remonta a aproximadamente a quatro décadas, quando foi lançado um projecto que contou com a importação de 400 cabeças de gado de raça da Holanda, e colocados na fazenda Jamba e noutras.
Carlos Damião referiu que a iniciativa envolveu dezenas de criadores de referência e contemplou, igualmente, produtores tradicionais que se empenharam na disseminação de animais melhorados que desenvolveram a pecuária empresarial na região sul.
Os vários programas de fomento animal do Executivo, continuou, ajudaram a aperfeiçoar as técnicas de sanidade animal e outras acções necessárias para a manutenção, criação de novas fazendas no Sul e noutros pontos do país que têm dado o seu melhor para a produção de carne e outros derivados”, disse.
Projectos do Governo revitalizaram várias fazendas
Os dados disponíveis indicam que os vários programas de fomento animal implementados pelo incentivaram à criação de novas e a manutenção das antigas fazendas, onde são notórias as acções das fazendas Elavoco, Santo António, Maboqueiro, JG, CD, TC, Tchikalafolia, Mumba, Trevo, Tchicombe, AJC, Boi Verde, Rancho 4RS, NNN, Genial e outras.
Os associados da CCGSA consideram que o potencial pecuário da região Sul constitui um importante trunfo para estimular a criação de novas fazendas, o fomento e o repovoamento animal.
A expectativa é de aumento progressivo do número de animais melhorados e criar excedentes suficientes para permitir abates em quantidades consideráveis, de modo a reforçar a oferta de carne nacional e aumentar os rendimentos das famílias que dependem da actividade pecuária.
Os anciãos António Tchiende e Joaquim Kassinda, habitantes de Ngueya e Panguelo, povoações situadas nas zonas mais recônditas do município dos Gambos a 150 quilómetros a Sul da cidade do Lubango, são exemplos de resistência aos nefastos efeitos da seca prolongada e pestes animais.
Ambos são daqueles que não dão azo às peripécias provocadas pela ausência de água e pasto em certas épocas do ano.
“As preocupações que tínhamos com a falta de vacinas para prevenir o carbúnculo Hemático e sintomático deixaram de existir porque a vacinação e combate às pestes são já periódicas”, disseram.
Segundo eles, quando notam algo estranho, recorrem aos técnicos da veterinária a fim de avaliar o tipo de enfermidade, causas e formas para o combate, “por isso, já é mais difícil o gado morrer por falta de cuidados”.




