Banguecoque (Do enviado Especial) – A promoção do investimento sustentável e a estabilidade financeira de países membros constam entre as principais recomendações saídas da 82ª edição das Reuniões Anuais do Banco Mundial (BM) e Fundo Monetário Internacional (FMI), que encerrou este domingo (18), em Banguecoque (Tailândia).
Banguecoque (Do enviado Especial) – A promoção do investimento sustentável e a estabilidade financeira de países membros constam entre as principais recomendações saídas da 82ª edição das Reuniões Anuais do Banco Mundial (BM) e Fundo Monetário Internacional (FMI), que encerrou este domingo (18), em Banguecoque (Tailândia).
A par disso, os membros das conhecidas instituições de Bretton Woods recomendaram que se mantenha uma trajectória orçamental credível e a protecção de grupos vulneráveis, bem como o incentivo ao investimento em energia limpa, infra-estruturas e inovação, para melhorar a mitigação de riscos climáticos, tecnológicos e financeiros.
No plano global, as perspectivas do FMI fixam o crescimento da economia mundial em 3,1% para 2026.
A voz de Angola
Ao ser integrante nos debates do Grupo dos 24 (G24), Angola alinhou-se aos apelos por um financiamento internacional mais acessível, flexível e adaptado às realidades locais das economias em desenvolvimento.
A delegação angolana defendeu também o aumento dos investimentos no sector da energia, para aceleração da electrificação em África, através de parcerias público-privadas e na conectividade digital.
Quanto à assistência técnica, Angola e o Instituto de Capacitação do FMI (ICD) anuíram a prorrogação dos prazos para a conclusão do modelo de projecção macroeconómica do país.
O país marcou ainda presença na Reunião Ministerial do Grupo G1 de países africanos e no primeiro Conselho Directivo de Mutuários do FMI.
A nota de realce da participação de Angola no certame foi a sua nomeação à Direcção Executiva da Constituência de África no FMI, a ser liderada pelo angolano Pedro Castro e Silva, a partir de Novembro próximo, em substituição do moçambicano Adriano Ubisse.
Na qualidade de novo líder do grupo representativo, o Governo angolano definiu como prioridade o aconselhamento financeiro, o apoio técnico e a mobilização de recursos externos para fortalecer a resiliência das economias africanas.
Entre os principais objectivos da Direcção Executiva da Constituência de África Grupo 1 no FMI destaca-se a defesa da redução do custo do capital e a melhoria das condições de acesso aos mercados financeiros internacionais para os países africanos (o acesso a financiamento mais justo).
Constam, igualmente, dos objectivos a flexibilização das políticas do FMI, valorização do capital humano, fortalecimento da coesão e influência do grupo e mitigação do risco e percepções (combater os constrangimentos no acesso ao capital associados a uma percepção de risco elevada atribuída às economias africanas).
Além dessa posição, o país assume também, com Pedro Luís da Fonseca, a função de novo director executivo no Banco Mundial para a constituinte integrada por Angola, África do Sul e Nigéria.
Paralelamente, a comitiva angolana destacou o abrandamento e a descida gradual da taxa de inflação interna, num momento em que as projecções do Caucus Africano apontam, igualmente, para uma trajectória de diminuição da inflação no continente, estimada em 9,3%.
O certame serviu também para Angola participar na primeira reunião do Conselho Directivo da Plataforma de Mutuários e no encontro inaugural de coordenação dos países que recorrem ao financiamento do Fundo Monetário Internacional, que visaram confirmar a composição dos membros e adoptar o documento fundador que estabelece as modalidades de funcionamento e governação.
Temáticas das reuniões
As Reuniões Anuais abordaram temas sobre os principais desafios actuais que se colocam à economia mundial e as perspectivas de um crescimento mais sustentável, resiliente e inclusivo.
Ao longo dos sete dias, os participantes à presente edição 82ª das Reuniões Anuais do Grupo Banco Mundial e FMI abordaram temas sobre os principais desafios actuais que se colocam à economia mundial e as perspectivas de um crescimento mais sustentável, resiliente e inclusivo.
Também foram destaques questões relacionadas com a mobilização de capital privado, criação de emprego, inovação tecnológica, Inteligência Artificial e o fortalecimento da resiliência económica, temas considerados determinantes para a transformação das economias e para a promoção de um desenvolvimento mais inclusivo.
A delegação de Angola no evento, que iniciou segunda-feira última (12), foi chefiada pelo secretário de Estado para o Planeamento, Luís Epalanga, integrando o governador do Banco Nacional de Angola, Manuel Tiago Dias, o secretário de Estado para Finanças e Tesouro, Ottoniel dos Santos, entre outras entidades.
O evento decorreu sob o lema “Novos horizontes da Tailândia: Capacitar as pessoas, construir resiliência”.
Trata-se da segunda vez que a Tailândia acolhe as Reuniões Anuais do BM e FMI, sendo a primeira ocorrida em 1991.
A par do encontro, habitualmente, realizado em Outubro de cada ano, de forma alternada (duas edições consecutivas nos EUA e uma num país membro), o BM e FMI organizam também, anualmente, as Reuniões de Primavera, que acontecem em Abril, em Washington.
Angola é membro do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional desde 1989 e, nos últimos anos, tem vindo a consolidar a sua relação com estas instituições, através de programas específicos orientados para a melhoria da gestão e consolidação das contas nacionais, o aperfeiçoamento dos mecanismos de investimento e a promoção do crescimento económico e social do país. HM/QCB




