O País precisa de alargar e diversificar os instrumentos de financiamento à economia real para conseguir sustentar um crescimento económico entre 6% e 8% ao ano. A posição foi defendida pelo Ministro da Indústria e Comércio, Rui Miguêns de Oliveira.
O governante falava na abertura oficial da 4ª edição do FIN Summit – Finanças, Investimentos e Negócios, realizado em Luanda, no passado dia 27 de Outubro. Rui Miguêns de Oliveira recordou que o choque económico entre 2014 e 2026 elevou o crédito malparado na banca, aumentou a aversão ao risco e acabou por limitar drasticamente o financiamento à actividade produtiva.
Apesar das reformas macroeconómicas, da unificação cambial e das medidas adoptadas pelo Banco Nacional de Angola (BNA) para estabilizar o mercado, o crédito ao sector privado continua muito baixo. Segundo o ministro, representa apenas entre 7% e 10% do Produto Interno Bruto (PIB), muito abaixo da média da África Subsaariana, que se situa entre 20% e 25%.”
O diferencial resume com clareza o tamanho do défice que temos de cobrir”, afirmou. Para o titular da Indústria e Comércio, a valorização da produção nacional – seja de produtos agrícolas, pescado ou recursos minerais – só será possível com transformação industrial, embalagem, logística e distribuição, processos que exigem financiamento adequado.
Nesse sentido, defendeu que a banca comercial tradicional não pode, nem deve, carregar sozinha o ónus de financiar todo o tecido económico.
Como alternativas ao crédito bancário tradicional, Rui Miguêns apontou o fortalecimento da BODIVA – Bolsa de Dívida e Valores de Angola – através da emissão de papel comercial e de obrigações por médias e grandes empresas.
“O leasing é como mecanismo para facilitar a aquisição de equipamentos, e o factoring, para garantir liquidez imediata às pequenas e médias empresas (PMEs)”, disse. Para mudar o quadro actual, o ministro apresentou quatro eixos de actuação prioritários:1. Reforço do Fundo de Garantia de Crédito (FGC) para partilhar o risco com a banca;
“O pagamento atempado aos fornecedores do Estado, para não asfixiar a tesouraria das empresas; uma política fiscal favorável ao reinvestimento dos lucros e garantia de segurança jurídica para quem investe”, disse.




