Durante uma entrevista concedida ao AngoRussia, a empresária angolana, Laurinda André de Macedo, recordou os primeiros passos da sua trajectória profissional e revelou que começou a trabalhar ainda na infância, motivada pela necessidade de ajudar a família e garantir a própria sobrevivência.
Segundo Laurinda, aos 7 anos de idade, acompanhava a mãe nas vendas no antigo mercado do Roque Santeiro, onde comercializavam frutas, legumes, tomates, cana-de-açúcar e bananas. Para a empresária, estudar representava uma oportunidade para mudar a sua realidade.
“Eu acreditava que, estudando, ia deixar de ser pobre”, revelou a empresária, explicando que vendia para custear os estudos e sustentar-se.
Com os lucros obtidos nas vendas, a família foi mudando gradualmente de actividade. Aos 12 anos, Laurinda começou a desenvolver uma visão mais empreendedora e passou a actuar como revendedora, comprando produtos como bananas, tomates e cana na Funda para posteriormente revendê-los no Roque Santeiro. Mais tarde, passou também a comercializar fardos no São Paulo, aumentando os seus rendimentos.
Foi durante essa fase que identificou uma oportunidade de negócio no mercado. Ao perceber que algumas mulheres precisavam de batas e cintas, deixou de vender apenas aquilo que tinha disponível e passou a procurar produtos de acordo com as necessidades dos clientes. A experiência, contribuiu para despertar e fortalecer o seu espírito empreendedor.
Apesar das actividades comerciais, Laurinda manteve o foco nos estudos. Posteriormente, conseguiu uma vaga na Polícia de Intervenção Rápida (PIR) e frequentou a Escola 1.º de Junho, sem abandonar os trabalhos extras que realizava para garantir o próprio sustento. Numa fase posterior da vida, foi morar com o pai e assumiu a gestão da casa. O pai, que possuía uma loja e uma fazenda, entregou-lhe a responsabilidade de administrar a residência, experiência que contribuiu para o desenvolvimento das suas capacidades de gestão.
Já no ensino superior, Laurinda iniciou a sua carreira profissional na Comissão do Mercado de Capitais, ainda na fase em que a instituição funcionava como núcleo responsável pela preparação da actual Bolsa de Dívida e Valores de Angola. Na instituição, trabalhou como técnica superior, participando na elaboração de leis, normas e estruturas relacionadas com o mercado de capitais.
Depois de vários anos ligados ao Ministério das Finanças, decidiu deixar o sector público para investir no empreendedorismo. Foi nesse contexto que criou a “Orta Linda”, empresa que descreve como uma das principais distribuidoras de frutas e legumes de produção nacional no país, que completou 15 anos de existência no dia 9 de Setembro.
Além da experiência empresarial, Laurinda possui formação académica na área de Finanças e revelou ter concluído um mestrado, que considera um importante conquista na sua trajectória.



