A paz duradoura no leste da República Democrática do Congo (RDC) exige a responsabilização das partes, a implementação dos compromissos de paz assumidos e uma cooperação regional genuína, em vez de tentativas de transferir a responsabilidade do conflito para o Ruanda. A afirmação foi feita pela Representante Permanente do Ruanda junto do Escritório das Nações Unidas em Genebra, Embaixadora Urujeni Bakuramutsa, durante a 63.ª sessão regular do Conselho de Direitos Humanos da ONU.
Durante a sua intervenção, a diplomata ruandesa criticou a postura do Governo de Kinshasa, acusando-o de politizar o Conselho de Direitos Humanos e de utilizar o Ruanda como “bode expiatório” para evitar assumir as suas próprias responsabilidades na crise que afecta a região leste do país vizinho. Segundo Bakuramutsa, a estabilidade na região só será alcançada quando se enfrentarem as verdadeiras causas da instabilidade.
A embaixadora sublinhou que a construção de uma paz sustentável passa, obrigatoriamente, pela resolução de problemas estruturais como a pobreza, a exclusão social, a fragilidade das instituições estatais e a negação dos direitos fundamentais. Para a diplomata, estes factores devem ser combatidos através de mecanismos de prevenção de conflitos, mediação, reconciliação nacional, responsabilização jurídica e desenvolvimento inclusivo.
Desafios globais e cooperação multilateral
Além da situação de segurança na RDC, a representante ruandesa destacou a importância de o Conselho de Direitos Humanos focar a sua atenção em novos desafios emergentes à escala global. Entre os temas apontados, Bakuramutsa destacou o impacto das alterações climáticas, a proliferação de desinformação nas plataformas digitais e a exclusão digital, apelando a uma cooperação multilateral mais eficaz e menos fragmentada.
A 63.ª sessão regular do Conselho de Direitos Humanos da ONU foca-se essencialmente no debate sobre os direitos económicos, sociais e culturais, as desigualdades estruturais e as liberdades fundamentais a nível global. O posicionamento do Ruanda surge num momento de intensa actividade diplomática na região dos Grandes Lagos, onde se procura viabilizar os acordos de paz anteriormente assinados para pôr fim às hostilidades que afectam milhares de civis.



