Ebola continua a desafiar resposta das autoridades congolesas para combate à doença

De acordo com as equipas médicas, um número crescente de pessoas procura voluntariamente os centros de tratamento, facilitando o combate à doença.
Nos últimos meses, pelo menos uma dúzia de instalações de saúde foram alvo de ataques por parte de moradores, motivados pelo medo, pela desinformação e pela profunda desconfiança em relação às autoridades e às equipas de resposta. Como consequência, a maioria das cerca de mil mortes registadas desde meados de Maio ocorreu em comunidades, e não nos centros de tratamento.
O Dr. Job Kkabagambe Tibasima, subsupervisor do Ministério da Saúde no Centro de Tratamento de Ebola do Centro Médico Evangélico de Bunia, considera que a relação entre as comunidades e os profissionais de saúde está a melhorar significativamente.
“O paciente que chega ao centro recebe o tratamento adequado e sai sem incidentes e, no final, até agradece à equipa médica”, afirmou o Dr. Job Kkabagambe Tibasima.
Apesar deste progresso, o surto continua a evoluir mais rapidamente do que a capacidade de resposta. Mais de 2.500 casos já foram registados oficialmente. No entanto, devido à insegurança e aos conflitos armados que dificultam o acesso às áreas afectadas, estima-se que o número real de infeções possa ser mais do dobro do total confirmado.
As equipas de saúde conseguem actualmente acompanhar cerca de 80% dos contactos identificados, mas ainda enfrentam dificuldades para alcançar todas as comunidades, diagnosticar todos os casos e mobilizar rapidamente equipas de resposta para as zonas mais afetadas.
As autoridades de saúde mantêm como principais prioridades a redução da transmissão do vírus em Ituri, através do reforço da vigilância epidemiológica, da realização de sepultamentos seguros e dignos, da melhoria da gestão clínica dos pacientes e do fortalecimento do envolvimento comunitário.
Paralelamente, é considerada urgente a expansão da capacidade de resposta para as províncias recentemente afectadas, com o objectivo de impedir que a transmissão do vírus se estabeleça nessas regiões.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta que a resposta ao surto enfrenta não apenas desafios técnicos, mas também obstáculos relacionados com a insegurança. A organização defende a necessidade de um cessar-fogo que permita melhorar o acesso humanitário e acelerar as operações de combate à doença.
A OMS conclui que a República Democrática do Congo não conseguirá enfrentar o surto sozinha e apela ao apoio contínuo da comunidade internacional, destacando que, acima de tudo, a população necessita de paz para vencer a epidemia.


