Genebra - Cerca de 650 mil refugiados e requerentes de asilo no Sudão do Sul poderão ficar sem assistência alimentar nas próximas semanas devido à grave escassez de financiamento, alertaram hoje as agências das Nações Unidas.
Genebra - Cerca de 650 mil refugiados e requerentes de asilo no Sudão do Sul poderão ficar sem assistência alimentar nas próximas semanas devido à grave escassez de financiamento, alertaram hoje as agências das Nações Unidas.
O Programa Alimentar Mundial (PAM) e o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) advertiram que a distribuição de alimentos aos refugiados poderá ser interrompida a partir de Outubro, situação que poderá levar algumas famílias a regressarem ao Sudão, apesar de o país continuar mergulhado num conflito armado.
O Sudão do Sul enfrenta uma das mais graves crises alimentares do mundo. Segundo as Nações Unidas, mais de 7,8 milhões de pessoas, o equivalente a mais de metade da população, vivem em situação de insegurança alimentar aguda, enquanto 2,2 milhões de crianças sofrem de desnutrição aguda, reporta a Reuters.
O país acolhe igualmente cerca de três mil refugiados e regressados por semana provenientes do Sudão, onde a guerra iniciada em 2023 provocou uma das maiores crises de deslocação de pessoas a nível mundial.
De acordo com o PAM, os últimos fornecimentos de alimentos aos 240 mil refugiados mais vulneráveis, dos 650 mil anteriormente abrangidos pela assistência, deverão ocorrer em Setembro, caso não seja garantido financiamento de emergência.
As famílias ainda assistidas recebem apenas metade das rações habituais, após sucessivos cortes motivados pela falta de recursos.
"O cenário não é hipotético. É uma realidade que poderá concretizar-se dentro de poucas semanas", afirmou o director-adjunto do PAM no Sudão do Sul, Adham Effendi.
Por sua vez, o representante-adjunto do ACNUR no país, Mesfin Degefu, advertiu que, na ausência de novos financiamentos, nenhum refugiado no Sudão do Sul beneficiará de assistência alimentar a partir de Outubro.
Segundo o ACNUR, muitas famílias já reduziram o número de refeições diárias, venderam bens essenciais, retiraram crianças da escola e recorreram ao endividamento para sobreviver. Mulheres e crianças enfrentam ainda maiores riscos de exploração e abusos.
A agência das Nações Unidas revelou igualmente que alguns refugiados solicitaram apoio para regressar ao Sudão, apesar de considerar que o país continua sem condições de segurança para o retorno.
O PAM necessita de 37 milhões de dólares (1 dólar equivale a 912 kwanzas) para assegurar as operações destinadas aos refugiados entre Outubro e Dezembro.
Sem esse financiamento, cerca de 180 mil deslocados internos deixarão de receber assistência alimentar a partir de Outubro e, em Novembro, outros 600 mil habitantes de zonas ameaçadas pela fome poderão perder apoio vital.
O ACNUR informou ainda que recebeu apenas 28 por cento dos 286 milhões de dólares necessários para financiar as suas operações no Sudão do Sul em 2026, comprometendo também programas de agricultura, formação profissional e outros meios de subsistência destinados a promover a autonomia dos refugiados. CV




