Mais de 650 mil refugiados no Sudão do Sul correm o risco de perder o acesso à assistência humanitária devido à falta de financiamento, alertaram, esta Sexta-feira, 14, o Programa Mundial de Alimentos (PMA) e o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR).
As duas agências das Nações Unidas advertem que, sem novos recursos financeiros, será necessário reduzir a distribuição de alimentos e o apoio nutricional destinado, sobretudo, a crianças e mães refugiadas.
O director-adjunto do PMA no Sudão do Sul, Adham Effendi, considera urgente o reforço do financiamento para evitar cortes na assistência e proteger milhares de pessoas que dependem do apoio humanitário para sobreviver.
A situação é particularmente preocupante entre as crianças que chegam aos centros de acolhimento já com sinais de desnutrição e que dependem da ajuda alimentar disponibilizada pelo PMA.
A pressão sobre os recursos humanitários também aumenta com a chegada semanal de novos refugiados e retornados. Segundo o PMA, até três mil pessoas continuam a atravessar a fronteira para o Sudão do Sul provenientes do Sudão, onde os combates persistem.
“As necessidades estão aumentando mais rápido do que os recursos”, alertou Effendi.
Perante a falta de financiamento, o PMA já foi obrigado a estabelecer prioridades e a concentrar os recursos disponíveis nas pessoas consideradas mais vulneráveis. Actualmente, alguns beneficiários recebem apenas metade da ração alimentar completa.
Para responder ao défice imediato, o PMA estima precisar de 37 milhões de dólares. A agência necessita ainda de outros 258 milhões de dólares para assegurar a assistência humanitária durante o restante de 2026.
O alerta das duas agências da ONU surge num contexto de agravamento das necessidades humanitárias na região, com o conflito no Sudão a continuar a provocar deslocamentos e a aumentar a pressão sobre os países vizinhos que acolhem refugiados.
Sem financiamento adicional, centenas de milhares de pessoas poderão enfrentar novos cortes na alimentação e no apoio nutricional, agravando a vulnerabilidade de famílias que já chegam ao Sudão do Sul em condições precárias.



