O presidente do Parlamento de São Tomé e Príncipe, Abnildo D’Oliveira, recusa renunciar ao cargo, apesar da pressão da oposição, que exige a sua destituição na sequência da sua adesão ao partido Nossa Terra.
Abnildo D’Oliveira admite, no entanto, a possibilidade de perder o mandato parlamentar, mas argumenta que essa medida depende de um procedimento formal que, até ao momento, ainda não foi iniciado.
A posição do presidente do Parlamento provocou protestos das forças da oposição, que contestam a sua permanência no cargo e chegaram a impedir a realização de uma sessão plenária.
Com as eleições legislativas marcadas para 27 de Setembro, Abnildo D’Oliveira sustenta que faltam cerca de 45 dias para o escrutínio e afirma não ver fundamento para abandonar voluntariamente a Presidência do Parlamento.
O responsável garante estar legal e eticamente habilitado para continuar a exercer as funções e manifesta a intenção de dirigir a sessão de 3 de Setembro, destinada à tomada de posse do Presidente da República reeleito, Carlos Vila Nova.
Sobre a polémica, pesa ainda uma acusação de alegada pressão sobre a presidente do Supremo Tribunal de Justiça para a libertação de um cidadão chileno detido em São Tomé e Príncipe na sequência de um mandado da Interpol.
Abnildo D’Oliveira recusou comentar directamente a acusação, limitando-se a confirmar que conhece o cidadão detido e que este é seu amigo.
A crise em torno da Presidência do Parlamento ocorre numa altura de crescente disputa política no país, a poucas semanas das eleições legislativas, colocando em confronto a exigência da oposição para a saída de Abnildo D’Oliveira e a decisão deste de permanecer no cargo enquanto não for concluído qualquer procedimento formal para a perda do mandato.



