Forças russas são acusadas de ataque contra civis no centro do Mali

Segundo um relatório divulgado pela organização, um avião militar Sukhoi Su-24 lançou pelo menos duas munições contra a aldeia de Kyrnia, no dia 15 de junho. O ataque atingiu uma zona residencial e provocou a morte de membros de uma família, incluindo dois filhos do chefe da aldeia, a esposa e outra criança.
A Human Rights Watch afirma que não identificou a presença de combatentes de grupos armados entre as vítimas. A organização sustenta que o ataque atingiu exclusivamente civis, embora o Africa Corps tenha reivindicado a operação e alegado ter destruído uma posição usada por grupos terroristas.
De acordo com testemunhos recolhidos pela ONG, cerca de 100 combatentes do Grupo de Apoio ao Islão e aos Muçulmanos (JNIM), incluindo um comandante de alto nível, estariam na aldeia no momento dos bombardeamentos.
A investigadora sénior da Human Rights Watch para o Sahel, Ilaria Allegrozzi, afirmou que o Governo do Mali deve assumir responsabilidade pelas ações das forças aliadas que operam no país.
O Mali enfrenta uma grave crise de segurança desde 2012, marcada pela expansão de grupos extremistas e conflitos com movimentos separatistas. Nos últimos meses, a junta militar no poder tem intensificado operações contra grupos insurgentes, contando com o apoio de forças russas, após o afastamento da França, antiga potência colonial.
A aproximação entre Bamako e Moscovo ganhou força depois dos golpes militares de 2020 e 2021, quando a junta governante rompeu parte da cooperação tradicional com países ocidentais e passou a apostar numa parceria militar com a Rússia para combater a insurgência.


